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Em 1930 os Krahô indagados pelo etnólogo
Curt Nimuendajú traduziram seu nome como "pêlo
(hô) de paca (cra)". Três décadas
depois, indivíduos dessa mesma etnia discordavam
dessa tradução, afirmando que Krahô
era nome de origem civilizada. A forma usual de grafar
o nome deste povo, "Krahô", se deve a
uma interpretação inadequada dos sinais
diacríticos utilizados por Nimuendajú. Essa
forma se difundiu nos textos etnológicos, está
presente nos nomes pessoais dos indígenas para
uso na sociedade envolvente e até nos títulos
dos livros publicados pelos índios; por isso é
adotada no presente texto. Ironicamente, a forma "Craô",
mais ajustada à pronúncia, é compatível
tanto com a ortografia oficial brasileira quanto com a
grafia atualmente utilizada pelos Krahô para escreverem
na sua língua.
Os Krahô chamam a si próprios
de Mehim, um termo que no passado era provavelmente
também aplicado aos membros dos demais povos
falantes de sua língua e que viviam conforme
a mesma cultura. A esse conjunto de povos se dá
o nome de Timbira. Hoje, Mehim é aplicado
a membros de qualquer grupo indígena. A esta
ampliação correspondeu uma redução
do sentido do termo oposto, Cupe(n), que, de
não-Timbira, passou a significar civilizado.
Os Krahô que vivem mais ao sul também
se chamam de Mãkrare (mã = ema,
kra = filho, re = diminutivo, "filhos
da ema"), termo que pode variar para Mãcamekrá
e que aparecia em textos do século XIX como "Macamecrans".
O termo que Curt Nimuendajú ouviu aplicado aos
do norte, Quenpokrare (quen = pedra, po
= chata, "filhos da pedra chata"), não é
tão antigo a ponto de aparecer nos textos do
século XIX e também não parece
ter perdurado até o presente.
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