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NOTA SOBRE AS FONTES

O trabalho mais geral sobre este povo é O sistema social krahó, tese de doutorado de Julio Cezar Melatti, defendida em 1970 na USP, divulgada sob a forma de 50 cópias mimeografadas.

A parte dessa tese relativa ao parentesco foi condensada em capítulo publicado no livro organizado por David Maybury-Lewis Dialectical Societies. Maria Elisa Ladeira, em sua dissertação de mestrado A troca de nomes e a troca de cônjuges, defendida na USP, retoma o tema e, com base em sua experiência de campo junto aos povos timbira Krahô, Apinayé e Apanyekrá, demonstra haver a uma conjugação dinâmica das relações de parentesco, transmisão de nomes pessoais e alianças matrimoniais, modificável conforme a retração ou ampliação do quadro demográfico.

Outra parte da tese de Melatti foi ampliada no livro Ritos de uma tribo timbira. Um desses ritos, o da corrida de toras do tempo da colheita da batata-doce, foi tema do filme de Heinz Forthmann, Rito Kraho, finalizado depois de sua morte por seu aluno Marcos de Souza Mendes. Por sua vez, a partir dos ritos funerários, Manuela Carneiro da Cunha, em sua tese de doutorado, defendida na UNICAMP e publicada com o título Os mortos e os outros, desenvolve a reflexão sobre a noção de pessoa entre os Krahô, a qual Melatti chegou a vislumbrar de uma outra perspectiva no artigo "Nominadores e genitores". Um dos ritos associados aos mortos, o Pàrecahàc, é mostrado no vídeo Kraho: os filhos da terra, de Luís Eduardo Jorge. É o mesmo rito que Kilza Setti aborda no artigo em que dá início ao estudo da música Krahô.

"Lendas dos índios krahó", transcrição sem retoques dos mitos que eles contaram em português a Harald Schultz, tornou-se uma indispensável fonte de consulta. Em "O mito e o xamã" Melatti mostra como o indivíduo revive um mito ao tornar-se um curador; e, em O messianismo krahó, como todo o povo tenta transformar suas relações com os brancos num movimento religioso-político inspirado no mito de origem dos civilizados. Por sua vez, foi pela comparação das versões Krahô e canela desse mesmo mito que Roberto DaMatta contrapôs os papéis de avô materno e tio materno em "Mito e autoridade doméstica".

Índios e Criadores, de Melatti, e A forma "timbira", dissertação de mestrado de Gilberto Azanha na USP, abordam o contato entre os Krahô e os brancos. O contato intertribal no passado aparece mais em "Reflexões sobre algumas narrativas krahó", contadas em português a Melatti. Uma troca de visitas entre os Krahô e os Parkateyê constitui o tema do interessante vídeo Eu já fui seu irmão, de Vincent Carelli.

Os dados sobre a língua Krahô recolhidos pelo etnólogo norte-americano Buell Quain, falecido antes de terminar sua pesquisa, no final dos anos Trinta, foram aproveitados num artigo de Olive Shell. O pesquisador do Summer Institute of Linguistics que fez pesquisa de campo no início dos anos sessenta não chegou a completá-la. Atualmente, Lydia Poleck, da Universidade Federal de Goiás, tem-se dedicado ao estudo da língua Krahô, mas, ao que parece, com o fim de elaborar livros didáticos. Em "O uso da escrita entre os Timbira", Maria Elisa Ladeira discute os resultados da alfabetização com exemplos Krahô.

Ana Carolina Cambeses Pareschi, doutoranda do Curso de Pós-graduação em Antropologia da Universidade de Brasília, está realizando pesquisa sobre a referida atividade de aproveitamento dos frutos do cerrado, e Hélder Ferreira de Sousa, mestrando do mesmo curso, está iniciando pesquisa sobre as mudanças recentes na organização política dos Krahô. Ambos contribuiram para este verbete com informações relativas à sua situação atual.

Julio Cezar Melatti
Universidade de Brasília
melatti@unb.br
dezembro de 1999

 
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