Em fim de 1800, Karl Von den Steinen, etnólogo alemão, coletou listas de palavras das línguas alto-xinguanas, entre as quais a língua Nahukwá. Steinen encontrou os Nahukwá em sua viagem descendo o rio Xingu (ver item sobre História) e generalizou este nome para todos os povos carib do Alto Xingu, incluindo os então Kuhikugu (Steinen, 1940). Foi ele que classificou corretamente a língua “Nahukwá” como pertencendo à família carib. O Kuikuro é então uma língua carib meridional.
Kuikuro, Kalapalo, Nahukwá e Matipu falam todos variantes dialetais de uma mesma língua (carib alto-xinguano). A identidade lingüística é um dos emblemas mais importantes da identidade social dos grupos locais. Assim, o jogo contrastivo das identidades sócio-políticas dos grupos locais carib se faz com base nas diferentes estruturas rítmicas (prosódicas) que contrastam variantes dialetais. Kalapalo e Nahukwá falam a mesma variante. Os Matipu já estão esquecendo sua variante, falada somente pelos mais velhos; o Matipu parece ser uma sub-variante da variante Kuikuro.
Do ponto de vista da classificação genética no interior da família carib, a língua carib do Alto Xingu é uma espécie de ilha distinta nas suas estruturas sintática e fonológica. Do ponto de vista da tipologia morfossintática, é uma língua ergativa (pelo menos, pela morfologia de caso nominal; ver Fontes
de Informação). Uma primeira comparação da língua carib alto-xinguana com as línguas carib setentrionais (ao norte do Rio Amazonas) e com as outras meridionais (Bakairi, Ikpeng, Arara, Yaruma e Apiaká do Tocantins, estas duas últimas extintas) permite projetar um cenário pré-histórico em que houve uma primeira separação do proto-carib que deu origem à proto-língua dos atuais carib alto-xinguanos e uma segunda separação, posterior, que deu origem à proto-língua dos outros povos carib meridionais.
Os intercasamentos fazem com que o monolingüismo em Kuikuro (ou na língua carib alto-xinguana) caracterize muitos, mas não todos os habitantes das aldeias de Ipatse, Ahukugi e Lahatuá. Há não poucos indivíduos bilíngües ou trilíngües com conhecimento de outras línguas da região, aruak ou tupi. Na aldeia Yawalapiti, o Kuikuro parece ser a língua dominante. O domínio do português varia dependendo da idade e do sexo. Alguns homens, com histórias de vida particulares (chefes, líderes políticos), e os mais jovens (hoje, abaixo dos trinta anos) sabem o português em graus variados de fluência. São ainda raras as mulheres que usam o português, mas seu número está crescendo.
O Kuikuro é uma língua ainda viva e íntegra, usada por todos em todos os domínios, mas não na comunicação com os brancos e outros índios. A escolarização, os contatos cada vez mais intensos com o exterior, as viagens constantes para as cidades, a presença cada vez mais impositiva da televisão e de outras mídias na aldeia, fazem com que o conhecimento e o uso do português esteja crescendo rapidamente. O Kuikuro é, como todas as línguas indígenas, uma língua minoritária de tradição oral sobrevivendo num contexto desfavorável para a manutenção de sua vitalidade.
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