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Existe pouca informação histórica
acerca desse grupo, principalmente no período
que antecede ao final do século XIX. Até
aquele momento os pioneiros na penetração
dessa região eram basicamente coletores de drogas
e eventuais caçadores que não tinham interesse
ou recursos para realizar registros.
Como grandes afluentes do Amazonas, o Juruá
e o Purus permitem navegação boa parte
do ano, principalmente em seu baixo e médio curso.
Os primeiros viajantes que os percorreram tiveram suas
impressões limitadas à percepção
que uma viagem de barco num rio oferece, principalmente
da várzea. Para além dela viviam não
só os Kulina, mas outros povos centrados no interior
da floresta, que naqueles tempos raramente eram vistos.
Essas primeiras expedições de
coletores das "drogas do sertão" exploravam
os índios por meio de relações
comerciais em que recebiam dos nativos tartarugas, especiarias,
óleos vegetais, madeiras de lei e sementes de
cacau, dando em troca ferramentas, roupas, anzóis
e outros produtos industrializados.
Em 1837, o inglês W. Chandless, para
o Journal of the Royal Geographical Society produziu
um relatório detalhado sobre a região,
em que pela primeira vez aparecem referências
a vários povos, entre eles os Kulina, também
chamados corinos e kulinos.
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Os primeiros contatos regulares dos Kulina com
os cariás deram-se com os seringueiros
no ciclo da borracha do final do século XIX,
quando então viviam no interior da floresta.
Em função das sangrentas "correrias",
assim chamadas as violentas incursões promovidas
por seringueiros brasileiros e caucheiros peruanos,
eles fugiram em direção às cabeceiras
dos rios da região. Houve um duplo deslocamento
provocado pela direção que caucheiros
e seringueiros tomavam, não apenas dos Kulina
como também de outras etnias em direção
as cabeceiras dos rios em elas habitavam. Os primeiros
vinham do Peru para a Amazônia e os segundos subiam
os rios amazônicos em direção a
Bolívia e ao Peru, no caso dos Kulina principalmente
no Alto Purus e Juruá.
As dificuldades para o escoamento da produção
em razão do difícil acesso prejudicaram
a constituição de seringais nos trechos
mais acidentados dos rios, principalmente quando a água
fica mais rasa, criando condições para
que os Kulina e outras etnias vivessem por algum tempo
com menor interferência não indígena.
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Após a implantação dos
seringais evidencia-se a necessidade de mão-de-obra
para alimentar a dinâmica do barracão:
o perverso sistema de aviamento que permitia ao seringalista
manter o seringueiro preso a dívidas impagáveis,
contraídas para seu sustento, que seriam pagas
com sua produção de borracha.
A promessa de riqueza fácil e abundante proporcionada
pelo sonho da borracha estimulou a migração
para essa área de nordestinos. Também
se intensificam em todas as áreas as "correrias"
que agora objetivavam a captura dos índios para
o trabalho nos seringais. Com o passar do tempo, a própria
necessidade de utensílios domésticos,
armas, tecidos e as facilidades de contato nos barracões
à beira dos rios termina por aproximar os Kulina
e outras etnias na região dos brancos.
Apenas em 1984, aliados aos Kaxinawa, realizaram
a auto-demarcação da Terra Indígena
Alto Purus, que foi seguida de sua interdição
pela FUNAI em 31/07/1987 para estudo e definição,
sendo a demarcação oficial da datada de
05 de Janeiro de 1996. Os Kulina, historicamente, assim
como outras etnias, sobreviveram entre grupos hostis,
fazendo da guerra a seus inimigos uma constante, mantendo
ainda hoje relações jocosas com grupos
da região, inclusive com seus vizinhos Kaxinawa,
tratando-se essa aliança temporária uma
estratégia diplomática pontual e necessária
com o antigo rival.
Embora a situação jurídica
de suas terras esteja regularizada, a pressão
social provocada pela interação com fazendeiros
e vizinhos, pelo confronto com caçadores e pescadores,
além das freqüentes invasões de sua
área para a extração ilegal de
madeira, demandam atenção permanente e
estratégias preventivas no sentido de minimizar
os impactos que essas interações causam
e poderão causar.
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