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Os Kulina são pertencentes à família
lingüística Arawá e, até a
chegada dos brancos, foram um dos grupos mais numerosos
no estado do Acre e sul do Amazonas. Sua autodenominação
é madija (pronuncia-se madirrá)
que significa "os que são gente", sendo
os brancos tratados genericamente por cariás.
Os madija falam predominantemente a língua
Kulina nas aldeias, inclusive as crianças, sendo
quase todos os (raros) bilíngües do sexo
masculino e mais velhos. Geralmente, são os que
trabalharam na juventude para os patrões brancos
nos seringais e na extração de madeira
que têm mais conhecimento da língua portuguesa,
embora nas aldeias próximas às cidades
a necessidade de estabelecer relações
com a sociedade envolvente esteja mudando essa realidade.
Muitos jovens vêm preparando-se para atuar como
professores indígenas, agentes agro-florestais
e agentes de saúde, sobretudo a partir de 1970,
com a implantação em Rio Branco do escritório
da Funai e da atuação de organizações
como a CPI (Comissão Pró-Índio)
e o CIMI (Centro Indigenista Missionário).
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O estilo lingüístico feminino é
marcadamente diferente do masculino: há oclusão
de vogais, condensação de palavras inteiras,
às vezes criando situações em que
a simples tradução de um trecho de quatro
ou cinco palavras torna-se tarefa complicada. Apenas
os Madija entendem o que suas mulheres falam
e, como há neologismos que variam de aldeia para
aldeia, essa compreensão às vezes restringe-se
ao próprio grupo local.
Alguns dos poucos falantes brancos da língua
Kulina por mim consultados sobre o canto feminino, como
os Luteranos e membros do CIMI, foram enfáticos
em afirmar sua dificuldade de compreender, senão
o significado, muitas vezes a própria palavra
dita, reiterando a possibilidade da existência
de um universo lingüístico feminino peculiar.
Elas praticam uma técnica particular no canto
que consiste em, quando há um final de frase,
pronunciar a ultima sílaba inspirando ar.
Isso pode ser claramente observado no acento dado à
conclusão das frases, características
que eu apenas percebi no canto feminino e na sua duração.
Tive a impressão de que cantavam ciclicamente,
aspirando ar no final da frase para ganhar um pouco
mais de fôlego.
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