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A pobreza da campinarana
dominante, somada ao caráter encachoeirado dos rios,
foi um dos obstáculos à expansão das frentes pioneiras
portuguesas e espanholas, que disputavam a região já
no século XVII, estabelecendo destacamentos militares
em alguns pontos do rio Negro, de onde os nativos apresados
eram "descidos" para os centros urbanos emergentes
(Barcelos, Manaus e Belém). A partir do século XVIII,
intensificam-se os "descimentos", de modo
que mesmo os Maku, em seus recônditos territórios interfluviais,
tiveram alguns de seus efetivos apresados como escravos.
Mas a análise dos documentos coloniais permite afirmar
que dentre os indígenas da região eles foram os menos
atingidos pelos "descimentos" ou pelas violências
decorrentes do ciclo da borracha, ao final do século
seguinte. O ciclo da borracha, aliás, foi possivelmente
um dos motivos da adoção de práticas agrícolas pelos
Maku: refugiando-se nos terrenos interfluviais para
escapar ao apresamento praticado pelos seringueiros,
os Tukano passaram a conviver mais intensamente com
os Maku, ensinando-lhes a agricultura da mandioca, bem
como uma série de itens da cultura material e espiritual
de que trataremos adiante.
Em 1914, em pleno período
de estagnação econômica decorrente da débacle
da borracha, entram em cena os missionários salesianos,
uma ordem católica voltada para a educação. Eles obtiveram
a adesão de todos os índios ribeirinhos do lado brasileiro,
porém encontraram muita resistência por parte dos Maku,
que se recusavam a enviar suas crianças aos internatos
nos centros missionários. Nos anos 1970, os salesianos
tentaram algumas experiências de povoados-missão exclusivamente
Maku (ver adiante). O garimpo aurífero - que se desenvolveu
na região entre meados da década de 1980 e o início
dos anos 1990, época em que o movimento indígena conseguiu
expulsar os invasores com o apoio do Ministério Público
e a força da Polícia Federal - pouco afetou os Maku,
pois era praticado no mais das vezes em terreno ribeirinho.
O único garimpo de terra firme, no extremo sul da TI
Alto Rio Negro, foi abandonado já em 1986 pela empresa
mineradora Paranapanema, em função da baixa produtividade;
com a intensificação do movimento indígena no início
dos anos 1990, o ouro passou a ser explorado exclusivamente
pelos índios.
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