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O universo
Maku tem a forma de um ovo em pé, com três andares ou
"mundos": (1) o "mundo das sombras",
subterrâneo de onde vêm todos os "monstros",
tais como os escorpiões, as onças, as cobras venenosas,
os índios do rio e os brancos; (2) o "nosso mundo",
isto é, a floresta e (3) o "mundo da luz",
acima do céu, onde vivem os ancestrais e o criador -
o Filho do Osso (possível alusão ao pênis, também chamado
de osso). Luz e sombra são as duas substâncias básicas
de que se compõem todos os seres, em proporções diversas.
Luz é fonte de vida. Sombra é fonte de morte. No "nosso
mundo", as folhas e as frutas são os seres que
mais concentram luz, ao passo que os carnívoros são
os que mais concentram sombra. Por isso, é melhor não
comer carnívoros, mas tão somente herbívoros. No mundo
da luz, após a morte, as pessoas se alimentam de deliciosos
sucos de frutas e se tornam eternos adolescentes.
O principal ciclo
mitológico dos Maku relata a epopéia do Filho do Osso
- Idn Kamni em Bara, Kegn Teh em Hupda,
Ku Teh em Yuhupde. Trata-se
do sobrevivente de um incêndio que pôs fim à criação
anterior, cujas tentativas de recriar o mundo resultam
numa série de trapalhadas: por causa delas, existem
as brigas, as doenças e a morte. Após ter sua mulher
raptada pelo irmão caçula, o Filho do Osso se retira
definitivamente deste mundo, indo morar no mundo da
luz, acima do céu e dos trovões, que às vezes emite
em expressão de desagravo. Coincidência ou não, na vida
real os irmãos costumam brigar entre si, em disputa
pelas mesmas mulheres, suas afins, conforme o sistema
de clãs.
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