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A mobilidade é muito
importante para os Maku, dado que seu meio habitual
de resolver conflitos é a dispersão no espaço. Não há
líderes ou conselhos "tribais" que arbitrem
os desentendimentos, aliás freqüentes, entre os habitantes
de uma aldeia. O líder da aldeia não passa de um anfitrião
e de um coordenador das caçadas coletivas. Trata-se
em geral de um homem de meia idade, ainda forte para
caçar e com muita experiência no assunto, em torno do
qual se reúnem cinco ou seis grupos domésticos cujos
cabeças são seus filhos ou seus genros. Ele não tem
autoridade para julgar quem está certo e quem está errado
numa briga. O líder que tenta fazê-lo não está livre
de apanhar durante a briga ou de assistir à deserção
irrevogável de expressiva parte de seus filhos ou genros.
Assim, a dispersão espacial temporária é a única forma
de evitar a fissão definitiva da aldeia por ocasião
de algum conflito. Mas, dependendo da gravidade, a fissão
pode ser inevitável: alguns grupos domésticos não voltam
mais para a aldeia de origem, estabelecendo-se em aldeias
vizinhas, onde têm parentes próximos, ou fundando nova
aldeia.
Os grupos locais (aldeias)
Maku mostram uma composição bilateral: moram juntos
tanto os filhos quanto os genros do líder. O fundamento
básico da amizade masculina é a relação entre cunhados,
isto é, homens que trocaram irmãs. Porém, o termo "irmãs"
deve ser entendido em sentido amplo. O vocabulário de
parentesco é de tipo dravidiano: funda-se sobre a bipartição
dos primos em proibidos para o casamento (primos paralelos,
isto é, filhos de irmãos de mesmo sexo), e preferenciais
para o casamento (primos cruzados, isto é, filhos de
irmãos de sexos opostos). Entre os Maku, o vocabulário
dravidiano está associado a um sistema de clãs patrilineares
exogâmicos. Há consistência entre o vocabulário e a
classificação dos clãs: assim como os primos são bipartidos
em "irmãos" (os paralelos) e "cunhados"
(os cruzados), os clãs são classificados em clãs "irmãos"
e clãs "cunhados", de modo que o universo
dos parentes é bipartido, tanto do ponto de vista do
vocabulário quanto do ponto de vista do sistema de clãs.
Destarte, são amigos (co-residentes, companheiros de
caçada) os homens que trocaram irmãs reais ou classificatórias
entre si. Os grupos locais (aldeias) mais estáveis são
os que mostram esta composição: um grupo composto de
cunhados reunidos em torno de um homem de meia idade,
sogro de alguns e pai de outros. Isto significa reunir
no mesmo grupo local no mínimo dois clãs afins.
Não há facções, grupos
etários corporativos ou conselhos de anciãos entre os
Maku. Eles classificam as pessoas conforme três faixas
etárias principais (em língua Hupdu):
os dowdu (verdes = crianças),
os wudndu (maduros = adultos)
e os wuhudndu
(secos = velhos). Os líderes de aldeia estão numa sub-classe
intermediária entre os wudndu
e os wuhudndu.
Estes últimos, além de desempenharem quase que invariavelmente
a função de xamãs, são também os nominadores. Para nominar
uma criança, o velho empreende uma "viagem"
(por meio de um alucinógeno do gênero banisteriopsis)
até o mundo dos ancestrais. Lá chegando, ele consulta
os mesmos sobre o nome da criança. Cada clã possui um
repertório de nomes, de modo que o nome próprio já dá
a identidade clânica da pessoa, assim como seu status
matrimonial (se "irmão" ou se "cunhado")
em relação aos demais.
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