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Ritual e xamanismo    

Ritual e xamanismo

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Afora a nominação, dois outros rituais Maku utilizam alucinógenos do gênero banisteriopsis. Um deles é o ritual do jurupari, de origem ribeirinha, em que os meninos são iniciados na idade adulta. Neste rito, que consiste em representar teatralmente a chegada da anaconda ancestral aos trechos de rio atualmente ocupados pelos Tukano, os homens tocam as flautas sagradas, que não podem ser vistas pelas mulheres. O outro rito é a dança e o cântico do kaapi wayá, também de origem ribeirinha, em que o caminho serpenteante da anaconda é encenado, porém sem as flautas sagradas. Além destes, há o dabocuri, igualmente vindo dos índios do rio. É uma festa profana, divertida e alcoolizada. Entre os Maku, muitas vezes termina em verdadeiras batalhas campais, com safanões, pauladas e gritarias madrugadoras, cuja conseqüência, além de uma porção de hematomas, costuma ser a dispersão dos co-residentes em vários acampamentos de caça ou uma estratégica mudança de aldeia.

Em relação ao xamanismo, de modo geral, pode-se dizer que todos os velhos Maku são xamãs. Estes, porém, são de dois tipos: os rezadores (bididu) e os homens-onça (nyaam hupdu). Os primeiros curam através de reza. Os últimos, através da extração do mal por meio de sucção. Freqüentemente, o mesmo indivíduo desempenha ambas as funções. Em qualquer dos casos, não inspira muito temor entre seus pares, sendo, antes, um dos alvos prediletos dos deboches. Mas por vezes pode ser acusado de malefícios e doenças, ocasião em que as pessoas que se julgam atingidas mudam de aldeia ou "ficam no mato até a raiva passar".

 

 

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Jorge Pozzobon (1955-2001)
Museu Paraense Emílio Goeldi
Janeiro 1999
01:: Aldeia do Pidu Bu. Fazendo fogo com pedras lascadas
foto: Jorge Pozzobon, 1997
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