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NOME E LÍNGUA   
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NOME E LÍNGUA
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Conhecidos por este nome, os Marúbo o aceitam, embora não constitua uma auto-denominação, a qual não parece existir. Sua língua se inclui na família Pâno. O etnólogo Philippe Erikson, apoiado nas semelhanças lingüísticas e culturais dos Marúbo com os Katukína-Pâno, Nukiní (Rêmo) e Poyanáwa, do Brasil, e ainda com os Kapanáwa, do Peru, classifica o conjunto de suas línguas como o ramo central da família Pâno.

Dizem os Marúbo que sua língua é a dos Chaináwavo. Essa afirmação coloca algumas questões relativas a seu passado, pois Chaináwavo é o nome de uma das suas seções (ver adiante), hoje extinta. Como seção, os Chaináwavo não podiam viver isolados, pois tinham de se casar com membros de outra seção; e ainda haveria pelo menos mais duas seções junto das quais deveriam estar: a de seus pais e a de suas mães. Falaria cada uma dessas seções uma língua? Falariam essas quatro seções uma mesma língua, diferente das de outros agregados de seções? Seriam os Marúbo atuais resultado de uma fusão de vários agregados de quatro seções, cada qual falante de uma língua e que acabaram por adotar uma delas? Ou ainda, haveria uma situação semelhante à do noroeste da Amazônia, em que cada grupo exogâmico teria uma língua diferente?

A atual língua dos Marúbo também dispõe de uma contrapartida ritual. Nos mitos e nos cânticos de cura há um vocabulário paralelo, que substitui muitas das palavras de uso cotidiano. Nos discursos formais, trocados entre o dono da casa e o visitante em momentos especiais, as frases são entoadas com uma musicalidade diferente daquela das situações profanas.

Atualmente os jovens do sexo masculino podem se comunicar também em português. Os mais velhos, uma vez que a região foi explorada no passado por caucheiros peruanos, conhecem algumas palavras de quêchua e de espanhol.

01:: foto: Silvio Cavuscens, 1985

Julio Cezar Melatti
Universidade de Brasília
melatti@unb.br
Dezembro de 1998

 
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