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Aqueles donos de maloca que granjearam prestígio
pelo seu modo de agir comedido e pacífico, que promovem
festas e a paz e são procurados como conselheiros merecem
o título de kakáya.
Talvez os ritos menos formais e freqüentes sejam
as refeições e as festas de beber, para as quais uma
maloca convida os vizinhos, quando há de carne de caça
de sobra ou macaxeira, milho ou pupunha disponíveis.
Mais elaborada e mais rara é a festa Tanaméa,
em que a maloca anfitriã limpa os caminhos até as malocas
convidadas, e abre algumas clareiras para nelas receber
com bebida os convidados que se aproximam. A entrada
destes na maloca anfitriã é agressiva, escavando o pátio
externo e destruindo as palhas das paredes. Em compensação,
os moradores da maloca podem tomar dos convidados os
enfeites que trazem.
Anualmente se realiza em cada maloca a festa
da colheita do milho, em que a aplicação de urtigas
ou de picadas de tocandeira nos homens e as brincadeiras
que imitam as diferentes fases da atividade venatória
de modo a propiciar os resultados da caçada coletiva
predominam sobre boa parte do rito.
O transporte de novo trocano desde a mata, onde
foi confeccionado, até o interior da maloca constitui
também uma ocasião ritual. O pesado instrumento é amarrado
ao centro de um longo tronco, cujas extremidades os
homens colocam aos ombros. Os carregadores, apoiados
em bastões, além de terem de andar pelo caminho escorregadio,
enlameado pelas chuvas, devem suportar também as cócegas
que lhes fazem as mulheres que os classificam como maridos.
No que tange ao ciclo de vida, o rito mais visível
é o funerário, que no passado envolvia a cremação, a
pulverização dos ossos e sua ingestão pelos parentes
dentro de um alimento pastoso, seguido do desfile com
partes do corpo do morto no sentido de ajudar a sua
"alma do coração" a encontrar o caminho das
provas post-mortem. Atualmente, o cadáver é envolvido
na sua rede e levado pelas pessoas que mantém com o
defunto as relações mais distantes para o cemitério,
bem afastado da maloca, onde é depositado numa sepultura,
sobre a qual se constrói um pequeno tapiri.
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