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A clareira para as novas roças é aberta coletivamente
pelos homens da maloca e depois dividida entre as famílias
elementares, que plantam os três vegetais básicos na
alimentação - o milho, a macaxeira (aipim) e a banana
- além do mamão, goiaba, bem como os destinados a outras
finalidades, como o tabaco, a urtiga, o algodão. Uma
vez que os vegetais têm ciclos diferentes, a roça produz
por muito tempo: o milho tem crescimento rápido, sendo
colhido três meses após o plantio; a macaxeira leva
pelo menos um ano para dar suas raízes; as bananeiras,
uma vez colhidos os primeiros cachos, deixam brotos
que produzirão outros mais. O mamoeiro dura alguns anos.
Talvez o vegetal cultivado de ciclo mais longo seja
a pupunheira, que só ganha altura após ter sido a roça
abandonada e produz seus frutos por muitos anos. À medida
que novas roças se fazem necessárias, elas vão sendo
abertas em locais mais afastados da maloca. Mas não
é apenas a distância das roças que leva à construção
de outras: a deterioração das palhas da cobertura e
a impermeabilização do teto pela fuligem provocada pelos
fogos de cozinha, que impede a fumaça de sair, também
são outras razões, além da morte do dono da casa, pelo
menos no passado.
As caçadas, hoje feitas com armas de fogo, incidem
sobretudo sobre o macaco preto (Ateles sp.?)
e o barrigudo (Lagothrix sp.), as duas únicas
espécies de primatas que consideram comestíveis. Também
é freqüente o caititu (Tayassu tajacu), mais
raros a anta (Tapirus terrestris), o porco-queixada
(Tayassu pecari). No período menos chuvoso não
é difícil o caçador voltar com uma paca (Cuniculus
paca). Dentre as aves, são freqüentemente abatidos
o cujubim (Pipile sp.) e o mutum (Crax
sp.).
A pesca individual se faz com anzol, e a coletiva,
com ajuda de um entorpecente cultivado, cujas folhas
são pisadas com terra em buracos, de modo a se fazerem
pequenas bolas com a mistura, que são dissolvidas na
água.
A estação menos chuvosa, de maio a setembro,
sujeita a eventuais "friagens" (períodos de
cerca de três dias de queda acentuada de temperatura),
é o tempo de extrair o látex das seringueiras, tendo
cada homem adulto seu tapiri para defumar a borracha
e suas "estradas" (caminhos que, saindo do
tapiri e a ele retornando, ligam as seringueiras). A
estação chuvosa é o tempo de extrair madeira. Esses
dois produtos florestais são negociados com os comerciantes
embarcados, os "regatões", que ora freqüentam
ora não as malocas marúbo, dependendo do rigor com que
a FUNAI proíbe seu acesso. Os missionários também mantêm
uma cantina em Vida Nova porém não compram borracha
nem madeira. Embora vendam seus artigos a preço de custo,
fazem-no a troco de dinheiro, o que os Marúbo só conseguem
com o trabalho para os próprios missionários, que não
têm muito a oferecer. Por isso, os Marúbo têm de recorrer
aos comerciantes embarcados ou procurar as cidades.
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