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As festas Matipu seguem critérios da
estação seca e da estação
chuvosa, sendo que é na primeira quando acontecem
os principais ritos intertribais do Alto Xingu. A seguir,
estão elencados os rituais mais representativos
desse grupo, que ocorrem durante a estação
seca:
1)Egitsu (kwarup em tupi): festa que
congrega todas as aldeias do sistema alto-xinguano e
é realizada em homenagem a mortos ilustres.
2) Hagaka (jawari em tupi): festa aludida
como de origem trumai, que é feita como forma
de "alterização" de um morto
ilustre através de cantos, danças e jogos
de dardos. A mitologia aruak e karib indica ser uma
festa relacionada aos pássaros, principalmente
o gavião, e às cobras, incluindo cobras
voadoras.
3) Iponhe: trata-se da "Festa dos pássaros",
segundo indica a mitologia; e também de furação
de orelhas dos meninos que possuem as prerrogativas
da chefia alto-xinguana; sendo ainda considerado um
ritual de passagem para a vida adulta.
4) Itão Kuegu ( Jamugikumalu em
aruak e Yamuricumã em tupi): é
uma festa feminina em que as mulheres ocupam ritualmente
o poder público e o pátio da aldeia, ameaçando
os homens que não cumprem seus deveres ou traem
suas mulheres.
(esses rituais estão relatados na página
Parque Indígena do Xingu)
Os principais ritos da estação chuvosa
são:
5) Duhe: Festa dos papagaios, mas também
da coruja e do pacu. Pode ocorrer entre os meses de
novembro a abril.
6) Kagutu: É o complexo de flautas sagradas
alto-xinguanas, cuja festa não pode ser vista
-; só ouvida -; peas mulheres; e que alude ao
roubo de um objeto de poder. Trata-se de um rito ora
intra, ora inter-tribal, em que as flautas são
tocadas dentro da Casa dos Homens e depois ao redor
da aldeia, enquanto as mulheres permanecem fechadas
em suas casas, de costas para a fonte sonora.
7) Takuaga: É uma festa típica
dos Karib xinguanos, embora eles próprios remetam
a sua origem aos Bakairi. Nesta, cinco homens de parentesco
consangüíneo tocam (e dançam) cinco
flautas de tamanho e afinação diferentes
representando respectivamente pai, mãe, dois
filhos e avô. É uma festa que também
pode ser solicitada pelo pajé à família
de um doente.
Assim, os Matipu investem grande parte de sua
vida social na preparação e participação
dos ritos intra e inter-tribais, onde o canto, a dança
e o mito corporificam um jeito de ser compartilhado
e ao mesmo tempo, demarcador de identidades.
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