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No contato com os Matipu, chama a atenção
sua risada alta, aberta ou solene; os gritos matinais
dos homens na porta de frente das casas; o olhar complacente
das mulheres em relação às traquinagens
infantis; o jeito arrojado das crianças, sua
liberdade e responsabilidade nos afazeres domésticos,
e as mil brincadeiras que inventam com as folhas, madeiras,
água e com os bichos os quais costumam imitar.
Destaca-se também a adaptação particular
que fazem das poucas e encardidas roupas de caraíba
(brancos) que possuem, e o zelo com seus adornos finíssimos,
como os colares de conchas alvos, que de tão
bem cuidados parecem sempre novos.
O jeito de ser Matipu se mostra, ainda, na seriedade
do preparo das cerimônias demarcadoras de identidade
– como o ritual Iponhe de furação
de orelhas dos adolescentes com descendência de
chefia - aliada a um envolvimento prazeroso no cantar
e dançar e na confecção dos adereços.
Envolvimento que em certas datas rouba muitas horas
da lida com a agricultura e a pesca, tanto que as mulheres
chegam a reclamar dos homens pelo tempo que eles ficam
na rede afinando seus instrumentos enquanto elas ralam
a mandioca para o consumo diário de beiju.
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