Estimados em várias centenas na época
dos primeiros contatos (final dos anos 70), os Matis, falantes
de uma língua Pano, não passavam de 87 em
1983. Nesse ínterim, ocorreram várias epidemias
introduzidas, entre outros, por uma equipe da Funai que
não foi capaz de combatê-las. Os últimos
meses de 1981 foram especialmente trágicos, tendo
custado a vida de uns cinqüenta Matis, levando os sobreviventes,
traumatizados, a abandonar seu hábitat disperso na
floresta e a reagrupar-se em torno do Posto da Funai, às
margens do rio Ituí, em busca de remédios.
Passado alguns anos, as roças começaram a
produzir normalmente, nunca faltou carne, alguns rituais
ressurgiram e houve um aumento populacional significativo.
Contudo, ainda persiste o choque demográfico e psicológico
decorrente de um contato mal empreendido e desnecessariamente
mortífero. Atualmente, os Matis não vivem
mais em uma única aldeia e assim retomam de modo
tímido o antigo padrão de ocupação
territorial.