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RITUAIS   
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RITUAIS
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Os Mehinako e sua cultura cerimonial são centrais para o sistema religioso xinguano. Muitas das mais importantes canções rituais são entoadas em mehinako, e muitos dos espíritos também reconhecidos em outras aldeias parecem ter nomes de origem aruak. De acordo com a antropóloga Ellen Basso, por exemplo, os Kalapalo cantam músicas rituais em mehinako, embora esse povo Karib não entenda Aruak.

Como os demais alto-xinguanos, os Mehinako participam na maioria dos festivais intertribais que comemoram a posse de novos chefes e a perfuração de orelhas de meninos (pihika), o luto por pessoas recentemente mortas (ata kaiumãi, que corresponde ao Kwarup, na língua Kamayurá), os festivais de comércio da estação chuvosa (huluki), e uma grande quantidade de cerimônias menores. Os habitantes da aldeia enviam embaixadores cerimoniais (waka) para levar seus convites acompanhados de presentes e discursos estilizados.

O sistema ritual mehinako é semelhante ao dos outros povos alto-xinguanos no que diz respeito à estrutura geral, que conta com "patrocinadores" e "realizadores" cerimoniais. Com exceção dos aliados próximos Waujá e, possivelmente, dos Yawalapiti, as outras comunidades xinguanas apresentam variações locais de rituais, mas o sistema é suficientemente aberto de maneira a aceitá-las.

Nesses rituais, os chefes são associados à coleta do pequi no final de cada ano. De acordo com as crenças dos Mehinako, as plantações são o lar dos espíritos, que são os verdadeiros donos do pequi. Esses donos-espíritos são propiciados no curso de rituais realizados ao longo de um período de aproximadamente seis semanas, durante o qual os espíritos, personificados pelos participantes, são trazidos à aldeia, ritualmente alimentados, e então mandados de volta às suas plantações com preces por mais pequi nos anos vindouros. Entre os espíritos-donos das plantações está matapu, o espírito do zunidor, foco de um importante ritual de três dias. No curso deste ritual, os habitantes da aldeia fazem zunidores (objeto composto por uma haste com uma placa de madeira na ponta que, quando girada, produz um zunido), que são pendurados nas casas dos homens e são mantidos à distância das mulheres da aldeia.


01:: Ritual do Akajatapa, em que as jovens recebem o uluri. Em período de reclusão, elas não cortam a franja dos cabelos.
Foto: Thomas Gregor, 1983.

Thomas Gregor
antropólogo, diretor do Programa em Antropologia da Universidade de Vanderbill
thomas.a.gregor@vanderbilt.edu
Novembro de 2002

 
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