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Os Mehinako e sua cultura cerimonial são
centrais para o sistema religioso xinguano. Muitas das
mais importantes canções rituais são
entoadas em mehinako, e muitos dos espíritos também
reconhecidos em outras aldeias parecem ter nomes de origem
aruak. De acordo com a antropóloga Ellen Basso,
por exemplo, os Kalapalo cantam músicas rituais
em mehinako, embora esse povo Karib não entenda
Aruak.
Como os demais alto-xinguanos, os Mehinako participam
na maioria dos festivais intertribais que comemoram
a posse de novos chefes e a perfuração
de orelhas de meninos (pihika), o luto por pessoas
recentemente mortas (ata kaiumãi, que
corresponde ao Kwarup, na língua Kamayurá),
os festivais de comércio da estação
chuvosa (huluki), e uma grande quantidade de
cerimônias menores. Os habitantes da aldeia enviam
embaixadores cerimoniais (waka) para levar seus
convites acompanhados de presentes e discursos estilizados.
O sistema ritual mehinako é semelhante
ao dos outros povos alto-xinguanos no que diz respeito
à estrutura geral, que conta com "patrocinadores"
e "realizadores" cerimoniais. Com exceção
dos aliados próximos Waujá e, possivelmente,
dos Yawalapiti, as outras comunidades xinguanas apresentam
variações locais de rituais, mas o sistema
é suficientemente aberto de maneira a aceitá-las.
Nesses rituais, os chefes são associados
à coleta do pequi no final de cada ano. De acordo
com as crenças dos Mehinako, as plantações
são o lar dos espíritos, que são
os verdadeiros donos do pequi. Esses donos-espíritos
são propiciados no curso de rituais realizados
ao longo de um período de aproximadamente seis
semanas, durante o qual os espíritos, personificados
pelos participantes, são trazidos à aldeia,
ritualmente alimentados, e então mandados de
volta às suas plantações com preces
por mais pequi nos anos vindouros. Entre os espíritos-donos
das plantações está matapu,
o espírito do zunidor, foco de um importante
ritual de três dias. No curso deste ritual, os
habitantes da aldeia fazem zunidores (objeto composto
por uma haste com uma placa de madeira na ponta que,
quando girada, produz um zunido), que são
pendurados nas casas dos homens e são mantidos
à distância das mulheres da aldeia.
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