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Os Nahukuá, como outros povos do Alto Xingu,
percebem as emissões corporais como algo potencialmente
perigoso. O sangue, especialmente o menstrual ou aquele
contido na placenta, é particularmente problemático.
Por exemplo, quando uma mulher dá à luz,
há outras mulheres que buscam instruí-la
para facilitar a saída do bebê. No entanto,
ninguém irá tocar a parturiente, pois as
secreções corporais apresentam perigo.
As fases do desenvolvimento entre os Nahukuá
são marcadas da mesma maneira que no restante
da região. Por exemplo, o corte de cabelo, a
escarificação, as reclusões pubertárias
e a perfuração das orelhas consistem no
reconhecimento social de mudanças de status.
Os Nahukuá participam dos mesmos rituais
intersocietários que os demais grupos da área.
O Yawari, o Kwarup e as lutas são
um aspecto importante das relações entre
as aldeias. Os homens nahukuá praticam regularmente
as lutas e o arremesso de dardos para se sobressaírem
nesses encontros.
Quanto ao xamanismo, antes da expansão
da medicina ocidental no Parque os xamãs dispunham
de maior poder. Contudo, a atuação de
médicos e profissionais de saúde não
anulou a importância da pajelança. Há
doenças consideradas “indígenas”,
como roubo de alma por espíritos e feitiços,
que só podem ser curadas pelos xamãs.
Sua atuação consiste na remoção
de objetos patogênicos do corpo de seus pacientes,
principalmente por meio de sucção e massagem.
A fumaça do tabaco e o canto são também
partes integrantes do processo de cura. Os xamãs
não apenas fornecem serviços de saúde,
mas também possuem poder político.
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