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Diferente de muitas áreas da Amazônia,
o Alto Rio Negro tem um acervo relativamente sólido
de fontes escritas desde o século XVIII, começando
com os registros de escravos indígenas transcritos
no livro organizado por Márcio Meira (1994);
a crônica de viagem deixada por Alexandre Rodrigues
Ferreira no final do século XVIII (1983 [1787]);
o relato de viagem à região por Alfred
Russell Wallace na metade do século XIX (1979,
[1883]); a coleção de documentos organizada
pelo Governador do Estado do Amazonas, Tenreiro Aranha,
sobre a metade do século XIX, de grande relevância
para a história dos movimentos messiânicos
na região (1907); a excelente monografia - ainda
clássica e de leitura obrigatória, já
traduzida em espanhol - de Theodor Koch-Grünberg
(1995 [1909]) baseada nas pesquisas etnológicas
durante dois anos no começo deste século
pela região; a crônica do viajante francês
Henri Coudreau que percorreu a região nas últimas
décadas do século XIX, fonte importante
para a história das missões franciscanas;
e a obra do padre salesiano Brüzzi da Silva (1962)
que, além das informações etnológicas,
contém anotações valiosas sobre
as missões salesianas, suas relações
com os povos indígenas e suas concepções
a respeito dos índios. Há histórias
escritas por dois antropólogos que trabalham
com todas essas fontes e apresentam análises
da história do contato nos lados brasileiro,
venezuelano (Wright, 1981; 1992) e colombiano (Hugh-Jones,
1981) da fronteira.
Estudos sobre a arqueologia da região
ainda são incipientes, mas contam com as pesquisas
realizadas no Médio Uaupés por Eduardo
Neves (1988). A ecologia e estudos sobre o manejo dos
recursos naturais pelos povos são uma outra área
onde há uma produção crescente
principalmente da parte dos pesquisadores do Instituto
Socioambiental (ver Foirn/ISA, 1998). Além destes,
a monografia de Janet Chernela sobre os Kotiria (1993)
focaliza a relação entre a organização
social e política desses índios e o uso
dos recursos naturais.
O livro de Berta Ribeiro (1995) é fundamental
para a etnologia da cultura material. A monografia de
Casemiro Beksta é a melhor fonte sobre a importância
simbólica e religiosa das malocas indígenas.
Não existe um estudo global sobre a organização
social dos povos no lado brasileiro; embora haja várias
teses e artigos sobre a organização social
de povos específicos (os Tuyuka, por exemplo).
A monografia sobre os Tukano do lado colombiano por
Jean Jackson (1983) é certamente relevante para
a etnografia dos povos do lado brasileiro.
Há uma produção significativa
sobre a questão da mudança e transformação
cultural e histórica, começando com o
artigo clássico de E. Galvão (1959), a
tese de doutorado de Ana Gita de Oliveira (1995), o
estudo do milenarismo e da conversão ao cristianismo
por Robin Wright (1998) e do movimento político
em torno da demarcação das terras na região
(Foirn/ISA, 1998).
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