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A organização social do Noroeste
Amazônico se diferencia da maior parte das sociedades
amazônicas pela existência de grupos de descendência
patrilinear, nomeados, exogâmicos e idealmente hierarquizados.
Uma complexa trama social organiza esses grupos, nos quais
a menor unidade é o sib, formado pelos descendentes
de um mesmo ancestral e que se consideram parentes próximos.
Entre os grupos da família lingüística
Tukano Oriental, em geral a unidade lingüística
coincide com a unidade de parentesco agnático
com base na descendência patrilinear, corresponde
também ao âmbito de exogamia mais operacional.
Por exemplo, o grupo lingüístico Tuyuka
é formado por cerca de quinze sibs, entre os
quais não ocorrem trocas matrimoniais. Assim,
os Tuyuka estabelecem suas alianças com os Tukano,
Bará e outros.
Em geral, portanto, o grupo de descendência exogâmico
coincide com o grupo lingüístico. A noção
de descendência comum é revitalizada em
procedimentos rituais. Nos termos indígenas,
esta unidade é delimitada por uma auto-designação
e por um nome pelo qual são reconhecidos pelos
outros (índios e brancos). A auto-designação
ocorre em duas esferas de abrangência, a do grupo
lingüístico (por exemplo, Tukano, Desana,
Kotiria, Tuyuka, e outros) e do sib. Os membros de um
sib idealmente moram em um mesmo grupo local. Ainda
no plano conceitual, cada sib possui uma função
particular, associada sobretudo a especialidades rituais.
Christine Hugh-Jones descreve cinco funções
entre os Barasana (chefe, mestre de cerimônia,
guerreiro, xamã e servo), relativas à
organização do trabalho, ao desempenho
ritual e à guerra. O sib localizado tem como
padrão de moradia a maloca, que também
possui importantes significados rituais e cosmológicos.
No caso dos povos de origem Aruak, representados por
Baniwa, Kuripako, Werekena, Tariana e Baré, a
correspondência entre língua, descendência
comum e exogamia não é observada atualmente.
A unidade exogâmica é o sib: vários
sibs falantes da mesma língua se agrupam em fratrias
que mantêm alianças entre si.No caso dos
Tariana, que ocupam a região do médio
Rio Uaupés (onde predominam os povos Tukano Orientais),
observa-se que estão integrados como um dos grupos
de descendência dentro do sistema social uaupesiano.
Embora em sua maior parte tenham adotado a língua
tukano, operam como um grupo lingüístico
que troca mulheres com seus aliados, especialmente os
Tukano, Kotiria e Pira-tapuya. Os Baré, por seu
lado, habitam a calha do Rio Negro, nas proximidades
da cidade de São Gabriel da Cachoeira. A organização
social e as formas de casamento atuais entre os Baré
desta região ainda não foram descritas
na literatura etnológica.
Já entre os Maku, a organização
social dos grupos lingüisticos pode ser caracterizada
em três níveis: os grupos domésticos
de fogueira, organizados em torno de um casal; os grupos
locais, conjuntos de grupos domésticos de fogueira,
tendo como ponto focal o homem mais velho dos grupos;
e os grupos regionais, organizados territorialmente
com referência a igarapés ou riachos. Estes
são endogâmicos, com traços culturais
específicos e dialetos próprios. Cada
grupo lingüistico pode abranger três ou mais
grupos regionais.
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Nesse contexto de diversidade cultural existem
muitas características comuns entre as etnias,
principalmente no que diz respeito aos mitos, atividades
de subsistência, arquitetura tradicional e cultura
material. Tais características comuns são
mais evidentes entre os Tukano, Baniwa, Tariana e Baré,
por um lado, e os Maku, por outro. Por essa razão,
os primeiros são por vezes identificados como "índios
do rio". Em contraste, os índios da família
lingüística Maku, que possuem uma série
de peculiaridades sócio-culturais, podem ser chamados
"índios da floresta". Vivendo longe das
margens dos rios navegáveis, os Maku se articulam
com os índios do rio, mas não do mesmo modo
que estes se relacionam entre si. Os Maku, exímios
caçadores, em geral fornecem carne aos índios
do rio e também lhes prestam serviços em
troca de outros alimentos, como mandioca e peixe.
Na perspectiva dos índios do rio, os
Maku ocupam uma posição de inferioridade
e são considerados incestuosos, pois se casam
com pessoas do mesmo grupo de descendência e não
seguem seus padrões de residência. Contudo,
do ponto-de-vista maku, eles não são servos
ou escravos dos índios do rio, podendo a qualquer
momento abandonar os serviços que estão
prestando e se internar na floresta, povoada por espíritos
que os índios do rio desconhecem e temem.
Para saber mais a respeito da relação
entre os grupos tukano orientais e os Maku, veja o item
"Tukano e Maku, Maku e Tukano", na seção
Etnias
do Uaupés.
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