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ATIVIDADES ECONÔMICAS   
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ATIVIDADES ECONÔMICAS

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O ciclo econômico anual está marcado pela grande mobilidade dos grupos locais e seus deslocamentos sazonais entre diversas zonas de exploração (terra firme e várzea, praias e castanhais). Ele é determinado pelo regime pluvial regional e pelos níveis de água correspondentes.

A pesca nos rios, igarapés, igapós, lagos e lagoas é a base do auto-sustento. Os Paumari pescam o ano inteiro com técnicas diversas e se alimentam de peixes diariamente. Outros animais aquáticos preferidos são os quelônios ("bichos de casco"), já bastante rarefeitos no médio Purus. A pesca sempre era a atividade mais descrita e pouco se sabe sobre a exploração da terra firme pelos Paumari, já que autores antigos não falam sobre o que os Paumari faziam nos meses de escassez de peixes.

A agricultura é praticada tanto na várzea quanto na terra firme, sendo a mandioca a principal planta cultivada. A agricultura desempenhava um papel irrelevante nos textos antigos sobre os Paumari, mas a expedição dos biólogos norte-americanos Ghillean Prance, David Campbell e Bruce Nelson à região do Lago Marahã revelou uma situação contrária, por descobrir mais de 14 variedades de mandioca nas roças, o que não se esperava de uma etnia caracterizada como nômade. O antropólogo Peter Schröder (autor deste verbete) e o ecólogo Plácido Costa Júnior, no entanto, levantaram informações sobre 28 variedades plantadas. Além da mandioca, os Paumari plantam até mais de 30 culturas diferentes, como macaxeira, cará, batata-doce, ariá, taioba, milho, maxixe, feijão, jerimum e uma série de fruteiras e palmeiras.

Os Paumari contemporâneos, além de ser agricultores, também cultivam diversas fruteiras, legumes e plantas medicinais nos quintais. Eles também coletam uma série de frutas silvestres para o autoconsumo e matérias-primas (principalmente cipós e enviras) para a construção de casas, embarcações e a fabricação de diversos objetos . Bebidas são produzidas com frutos de palmeiras (como açaí, bacaba ou patauá) e a castanha-do-pará também é apreciada como alimento.

Os Paumari não são conhecidos como bons caçadores, embora se saiba que eles caçam esporádica e espontaneamente, principalmente no caso de encontrar algum animal, quando saem para pescar.

Como os Paumari mantêm relações permanentes com a sociedade envolvente e se tornaram dependentes de seus produtos materiais, diversas atividades são voltadas para a comercialização de produtos pesqueiros (peixes e quelônios) e extrativistas (castanha-do-pará, copaíba, sorva, látex e madeiras-de-lei) em troca de bens industrializados básicos (alimentos, têxteis, ferramentas, motores, combustíveis e outros).

Nestas relações, muitas vezes não recebem dinheiro nenhum, sendo explorados de forma escandalosa por regatões nas trocas de produtos. Nos círculos viciosos desses sistemas de patronagem, muitos Paumari contraem grandes dívidas e as famílias não conseguem quitá-las ao longo dos anos, mesmo pagando com toda a sua produção. Em razão desse endividamento, diversos Paumari são obrigados a ceder um lago ou uma lagoa para algum não-indígena interessado na sua exploração ou abrir mão da exploração madeireira das florestas.

Nos últimos anos, porém, surgiram diversas restrições à venda ou troca de produtos com os quais os Paumari costumavam ter facilidade de trabalhar, tanto pela fiscalização mais eficaz de diversos órgãos governamentais, quanto pela superexploração de alguns dos recursos explorados. Além disso, a extração da borracha e da sorva entraram numa crise grave no início dos anos 1980, obrigando vários Paumari a buscarem alternativas de produtos que podiam ser comercializados. Assim, muitos começaram a se dedicar mais à agricultura.

01:: Mulher Paumari com tambaqui na aldeia Araçá (Paumari do Rio Ituxi).
foto: Peter Schröder/PPTAL, 2000

Peter Schröder
Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação em Antropologia
pschroder@uol.com.br
março de 2002
 
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