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ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA   
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ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA

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Os viajantes e outros observadores do século XIX caracterizaram as habitações lacustres da época chuvosa como as moradias típicas dos Paumari, porque chamaram mais sua atenção. Estas balsas ou jangadas com casas flutuavam no meio dos lagos e lagoas com o objetivo de ficar mais ou menos protegidas de insetos como os "piuns". Por isso, também foram chamadas de "flutuantes".

Cada aldeia estava composta de 8 a 15 casas com uma ou duas famílias em cada uma. O lugar do fogo encontrava-se em terra firme, mas nas proximidades da margem do lago. Outras habitações menores da estação seca muitas vezes ficaram despercebidas, como os ranchos simples de folha de palmeira, em forma semicircular, nas praias fluviais.

Contrário à imagem de nomadismo fluvial, Steere também fala de aldeias permanentes, ocupadas na estação chuvosa, onde eram conservadas tartarugas vivas em cercados feitos de estacas.

Hoje em dia, os "flutuantes" representam um tipo minoritário de habitação paumari. Ainda é possível encontrar "flutuantes" no lago Marahã e no rio Tapauá. A grande maioria dos Paumari, no entanto, mora, pelo menos uma parte do ano em casas do tipo regional, o que implica em maior exposição às pequenas "pragas" cotidianas, como os piuns e mutucas.

O tamanho dos grupos locais pode variar de casas isoladas a aldeias com mais de 20 casas. A despeito de algumas fontes, como o site do SIL, informarem que há apenas quatro aldeias paumari, localizamos 10 só na terra Paumari do Lago Marahã. A maior aldeia conhecida até agora tem mais de 170 moradores.

A organização social e política dos Paumari foram pouco estudadas até agora. Steere é o único autor que menciona a divisão dos Paumari em vários clãs.
Os grupos residenciais são ou famílias nucleares ou grupos familiares extensivos (casal, filhos, genros, noras e netos), incluídos, às vezes, também os filhos que um dos pais teve de um casamento anterior.

Os irmãos consangüíneos geralmente não vivem juntos no mesmo grupo residencial depois do casamento, embora procurem construir sua casa perto dos outros. Esta regra, no entanto, não vale para as irmãs. Adultos solteiros costumam viver com a família de um irmão. Jovens que só têm um pai vivo geralmente vivem com ele.

Tradicionalmente, havia preferências de casamento com primos cruzados. Diferente de outras sociedades indígenas na Amazônia, o genro já faz trabalhos para o sogro futuro antes do casamento. As regras de residência pós-núpcial são complicadas: com a família da mulher (uxorilocal) no primeiro mês, depois com a família do homem (virilocal) por mais um mês e, posteriormente, mudanças constantes de até dois anos entre as famílias dos sogros de um e de outro cônjuge até o nascimento do primeiro filho. Estas mudanças podem continuar até o nascimento do segundo ou terceiro filho, quando geralmente o casal opta uma residência própria (neolocalidade). Nestes anos, o casal não precisa morar necessariamente na casa de um dos sogros, mas pode construir a sua ao lado dela. Se uma parte do casal dos cônjuges é órfão de pai, de mãe ou de ambos, as regras de residência pós-nupcial são mais complicadas.

Quanto às fases culturalmente marcadas do ciclo de vida, hoje em dia vale destacar principalmente a mudança das meninas do status de criança para o de adulto. Quando aparece a primeira menstruação, elas têm que se retirar para uma casinha de reclusão construída ao lado da casa da família ou dentro dela. Neste caso, ela é feita apenas por uma grande esteira enrolada em forma de uma tenda cônica. Nesta casinha de reclusão, a menina deve permanecer de sete meses até um ano inteiro, sendo atendida pela mãe ou outros membros da família. Ao contrário de outros povos da região, os Paumari contemporâneos permitem que essas meninas sejam vistas por homens e até serem fotografadas. A fase da reclusão termina com uma festa grande da aldeia inteira que dura vários dias. Para os meninos não existe mais nenhum ritual de passagem, sendo a mudança de voz o indicador de mudança de status de criança para o de adulto.

A organização política dos Paumari está passando por grandes mudanças. Como antigamente eles não conheciam a função destacada de liderança dos grupos locais, havia um tipo informal de chefia a ser assumida pelo mais velho dos casados. Muitas comunidades atuais ainda não têm verdadeiros "caciques" e podem ser caracterizadas como acéfalas. Ao alto grau de mobilidade das famílias e a decomposição e recomposição fácil das comunidades dificultam consideravelmente o estabelecimento de poderes locais. Mas a sedentarização crescente das comunidades, por um lado, e as demandas externas tanto da política indigenista quanto do associativismo moderno, por outro lado, estão mudando esta situação.

01:: Flutuantes na aldeia Estirão no Lago Marahã (Paumari do Lago Marahã).
foto: Peter Schröder/PPTAL., 2000

Peter Schröder
Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação em Antropologia
pschroder@uol.com.br
março de 2002
 
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