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A religião nativa é um dos aspectos
menos conhecidos da cultura paumari. Sob a influência
missionária, ela está recuando e até
ameaçada de desaparecimento numa série
de aldeias. Sabe-se muito pouco da mitologia, do xamanismo
e das festas, embora muitas lendas e outras histórias
sejam coletadas pelas missionárias do SIL e transcritas
para o uso escolar.
Práticas xamânicas ainda existem
em muitas aldeias, em geral de forma camuflada, mas
já não se fala muito delas. Antigamente,
porém, os xamãs eram altamente conceituados
nas comunidades e costumavam curar as moléstias
sugando a parte do corpo doente. Depois disso, entranhavam-se
na floresta, provocando vômitos e então
retornando à aldeia com pequenos animais e objetos,
alegando terem sido extraídos do paciente no
ato da cura (Cf. Felix 1987).
Nos momentos que precedem o ritual de cura,
o pajé faz uso do rapé. Este estimulante
é preparado com as folhas da vinha Bignomiaceae
(Tanaeciuma nocturnum), que têm um gosto amendoado,
quando mastigadas. Para preparar o rapé, tiram-se
as folhas verdes, que são torradas até
ficarem secas, o que dá a base para um pó
fino que é guardado num ouriço de castanha-do-pará.
Depois, esse pó é peneirado e misturado
com rapé de tabaco, preparado da mesma forma.
Esta mistura é chamada koribo-nafoni e somente
é usada pelos pajés em ocasiões
especiais, como, por exemplo, antes do tratamento de
pacientes, em rituais para proteger crianças
ou nos rituais de puberdade das meninas.
E, a despeito da diminuição do
xamanismo, o rapé continuou gozando de popularidade
muito grande entre os Paumari. Há dois outros
tipos de uso cotidiano. Um é feito de tabaco,
às vezes misturado com cinza de cascas de árvores.
O outro, chamado kavabo, é feito da casca da
virola elongata. Raspa-se a parte externa da casca com
um terçado, torrando-a e secando-a por cima do
fogo. Depois é pulverizada num pilão feito
do ouriço da castanha-do-pará.
O rapé era inalado tradicionalmente por
meio de um par de ossos ocos que eram amarrados lado
a lado com um fio de algodão. Suas extremidades
eram arredondadas igualmente com cera para adaptá-las
às narinas. Hoje em dia usam-se também
os tubinhos de canetas de que foram tiradas as cargas.
As mulheres geralmente não usam rapé,
mas tomam o koribo em outra forma, fazendo um chá
da casca da raiz, que é fermentada na água.
Este chá produz um efeito de entorpecimento.
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