 |
::01 |
 |
A pressão sobre os limites das terras é
mais econômica do que demográfica. Há
invasões pontuais de famílias de ribeirinhos
para caçar e explorar castanhais. Os impactos ambientais
mais graves, no entanto, são causados por madeireiras
e frotas pesqueiras. As madeireiras operam apenas nas
várzeas, por causa da maior facilidade de retirar
os troncos. Geralmente não mandam operários,
mas subornam os Paumari com dinheiro ou mercadorias para
que estes façam os cortes das árvores cobiçadas,
como a itaúba ou as diversas espécies de
louro.
Prejuízos ambientais muito maiores são
causados pelas frotas pesqueiras oriundas de Lábrea
(AM), Manacapuru (AM), Boca do Acre (AC) e Manaus, cujos
objetivos principais são os cardumes de tambaqui
que se formam no período da vazante. As embarcações
destas frotas possuem capacidade de carga que variam
de 300 quilos a 15 toneladas. Essas frotas não
só operam no Purus, mas também entram
em alguns lagos. Suas atividades são praticamente
descontroladas e absolutamente predatórias. Não
é incomum que mais da metade da pesca, já
morta, seja jogada fora pelas tripulações,
porque não se tem nenhum interesse comercial
nela.
Não há postos da Funai em nenhuma
aldeia paumari. O "posto" do órgão
na região é um escritório em Lábrea.
A Funai é representada principalmente por um
funcionário encarregado de visitar as diversas
aldeias de etnias diferentes. A presença missionária
é mais marcante, mas atualmente há apenas
uma missão protestante, na aldeia Crispinho na
terra Paumari do Lago Marahã. Na missão,
criada e mantida durante décadas pelo SIL, hoje
em dia moram missionários alemães da Deutsche
Indianer-Pioner-Mission, cuja assistência parece
ser mais atraente para os Paumari do que a governamental.
Organizações não governamentais
que trabalham com comunidades paumari são o CIMI
(Conselho Indigenista Missionário) e a OPAN (Operação
Amazônia Nativa). O Projeto Tapauá, incentivado
pelas duas ONGs e voltado para as comunidades do rio
Tapauá, visa melhorar a situação
territorial, ambiental, econômica e de saúde
dos Paumari.
A onda de fundações, de organizações
e associações indígenas finalmente
atingiu também a região do Purus. Em 2000,
foi fundada uma série de associações
comunitárias paumari. Estas geralmente mantêm
relações estreitas com a OPIMP (Organização
dos Povos Indígenas do Médio Purus), fundada
em 1995 e com sede em Lábrea, a maior organização
indígena da região, liderada principalmente
por Apurinã e Paumari.
|