O Ceará foi a primeira província a negar a existência da presença
indígena em seu território, ainda no século XIX. Como
resultado dessa medida, extensas faixas de terra tornaram-se
disponíveis, o que beneficiou de forma direta a pecuária extensiva.
Nesse contexto, povoados originados pela expansão dessa atividade
foram transformados em vilas e o Estado passou a exercer controle
crescente sobre a mão-de-obra local, uma mão-de-obra que era
basicamente formada por índios submetidos ao regime de trabalho
forçado.
A hegemonia que o Estado conquistou sobre os índios após a
expulsão dos jesuítas deu lugar a um processo de perda de visibilidade
indígena que só começou a ser revertido na segunda metade do século
XX, quando, a partir da década de 80, dada à mobilização do povo
Tapeba, voltou-se a falar sobre a presença indígena no Ceará. Logo
em seguida, já no início da década de 90, foi a vez dos Pitaguary,
que começaram a se organizar politicamente para pressionar pela
demarcação de sua terra.