Desde o contato oficial, em 1969, a aproximação
com os não índios trouxe profundas mudanças
sociais entre os Paiter. Estas, entretanto, não anularam
sua índole guerrreira, que motivou a luta desse povo
pelo reconhecimento e a integridade de seu território.
Este, ao longo da história, foi terrivelmente ameaçado
pela violência do Polonoroeste, a corrupção
e omissão de órgãos governamentais,
a invasão de moradores indevidos e a incidência
de madeireiras e mineradoras. Lutando como podem contra
essas adversidades, os Paiter procuram manter a vitalidade
de suas tradições culturais, em que a sociedade
é compreendida a partir de uma divisão em
metades, de modo que os segmentos sociais, as atividades
produtivas e a vida ritual constituem expressões
do dualismo entre a aldeia e a mata, a roça e a caça,
o trabalho e a festa - sendo as festas de troca de oferendas
e os mutirões a elas associados os momentos culminantes
do intercâmbio e da alternância entre essas
metades.