O Mato Grosso do Sul abriga uma das maiores populações
indígenas do país. Os Terena, por contarem
com uma população bastante numerosa e manterem
um contato intenso com a população regional,
são o povo indígena cuja presença no
estado se revela de forma mais explícita, seja através
das mulheres vendedoras nas ruas de Campo Grande ou das
legiões de cortadores de cana-de-açúcar
que periodicamente se deslocam às destilarias para
changa, o trabalho temporário nas fazendas e usinas
de açúcar e álcool. Essa intensa participação
no cotidiano sul-matogrossense favorece a atribuição
aos Terena de estereótipos tais como “aculturados”
e “índios urbanos”. Tais declarações
servem para mascarar a resistência de um povo que,
através dos séculos, luta para manter viva
sua cultura, sabendo positivar situações adversas
ligadas ao antigo contato, além de mudanças
bruscas na paisagem, ecológica e social, que o poder
colonial e, em seguida, o Estado brasileiro os reservou.
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