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DEMOGRAFIA   
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DEMOGRAFIA

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Os dados mais atualizados disponíveis para a população Tiriyó que vive no Suriname se encontram em Boven, 2001, que estima um total de 1.400 pessoas. Para os Tiriyó que vivem no lado brasileiro, a AER da Funai de Macapá apresentou, para 2003, um total de 939 pessoas, incluindo-se aí a população Katxuyana e demais grupos que co-habitam com os Tiriyó no PIT. Somadas ambas estimativas, temos um total populacional para a região habitada pelos Tiriyó em ambos os lados da fronteira de aproximadamente 2.300 pessoas.

Uma análise demográfica da população Tiriyó em 1997 foi realizada por uma equipe do Centro de Estatística Aplicada da Universidade de São Paulo, composta pelo Professor Sérgio Wechsler, e pelos alunos Alexandre Damasceno e Ana Laura de Holanda Cavalcanti. Nesse ano, os Tiriyó totalizavam cerca de 512 pessoas, compartilhando seu território, principalmente, com membros do grupo Katxuyana (por volta de 70 pessoas) e, em número reduzido, com remanescentes dos grupos Ewarhuyana e Txikuyana, bem como com alguns poucos membros das etnias Akuriyó e Wajãpi. Em decorrência da intensa rede de inter-casamentos, principalmente entre os Tiriyó e Katxuyana, cerca de 200 pessoas pertenciam a “etnias mistas”. No total, em torno de 808 indivíduos compunham a população da bacia Paru de Oeste/Marapi em 1997.

Ainda em 1997, 60% da população (cerca de 460 pessoas) morava nos arredores da aldeia Missão Tiriyó. O restante (cerca de 350 pessoas) distribuía-se em 21 localidades diferentes, sendo 19 ao longo do rio Paru de Oeste, e duas nas cabeceiras do Marapi, com o número de habitantes por aldeia variando de 2 a 80 pessoas.

No início dos anos 1990, cerca de 50 Tiriyó que haviam migrado para o Suriname ao longo das três décadas anteriores voltaram para o Brasil em decorrência de conflitos com o governo surinamês, e dirigiram-se ao rio Paru de Leste, na porção oriental do PIT. Um pequeno grupo estabeleceu-se nas cabeceiras e outro desceu até o médio curso deste rio, instalando-se entre os Wayana e Aparai, no posto Indígena Apalaí. Em 1997, esta população já somava cerca de 74 indivíduos que, somados aos 512 do Paru de Oeste/Marapi, totalizavam, no lado brasileiro, uma população em torno de 586 Tiriyó. No Suriname, estima-se que, naquele mesmo ano, cerca de 1000/1200 Tiriyó estivessem distribuídos ao longo dos rios Sipariweni, Tapanahoni e Paroemeu, ao lado de alguns membros dos grupos Akuriyó, Waiwai e Wayana.

População Tiriyó ao longo do século XX

As fontes etnográficas sobre os ascendentes dos atuais Tiriyó remontam basicamente ao século XVII, mas é somente no início do século XX que surgem registros de dados numéricos sobre sua situação demográfica. O conjunto destes registros compõe um mosaico de informações um tanto desconexas. Porém, à luz dos dados disponíveis em fontes mais recentes, o conjunto aponta para algumas tendências históricas em termos de comportamento populacional, conforme mostra a tabela abaixo:

Tabela 4 – Situação histórico-demográfica dos Tiriyó no período 1900/1997

Pop. Total Pop.Brasil Pop.Suriname Fonte
1000 - - Bakhuis, 1908
800 500 300 De Goeje, 1908
687 461 226 Schimidt, 1942
616/646 240/270 376 Rivière, 1964
600/700 222 500/550 Frikel, 1970
- 329 - Gallois, 1981
1350/1550 553 800/1000 Fajardo, 1992
1760/2000 808 1000/1200 Fajardo, 1997

Neste quadro, pode-se verificar que, ao longo do século XX, a população tiriyó cresceu. Entretanto, em meados desse século, observa-se um visível declínio neste crescimento, que em seguida é recuperado, chegando na última década a uma população total praticamente duplicada em relação à primeira década do século.

Em relação ao decréscimo populacional configurado na primeira metade do século XX, é possível supor que se trate de um fenômeno paralelo ao sensível aumento na exploração da região, em ambos os lados da fronteira, por parte de viajantes, aventureiros e expedições oficiais ou não. Mas trata-se de uma suposição em relação à qual devemos ter cautela, porque as fontes disponíveis para o período são imprecisas quanto ao universo populacional levado em consideração nas cifras totais apresentadas. Assim, restam questões em aberto sobre o quadro demográfico desse período.

Porém, para o período seguinte, que corresponde ao decorrer dos anos 1950 e início dos anos 60, não há dúvidas de que a população tiriyó de ambos os lados da fronteira diminuiu, chegando aos níveis mais baixos. Segundo Frikel (1960), no decorrer da década de 1950, houve um declínio de pelo menos um terço da população tiriyó do lado brasileiro, em decorrência de algumas expedições provenientes do Suriname. Conforme relata, apenas do que pôde acompanhar pessoalmente em suas viagens pela região do Tumucumaque, no ano de 1952, o saldo de uma dessas expedições foi a morte de 25 índios, em decorrência de catarro, tosse e uma epidemia de furunculose. E, em 1958, registrou a morte de mais 17 índios em conseqüência de gonorréia e catarro.

Pelo que atestam as fontes, tal situação de declínio demográfico começou a se reverter, em ambos os lados da fronteira, por volta da segunda metade da década de 1960, período em que é introduzida a assistência médica prestada pelos missionários protestantes no país vizinho, e católicos no Brasil.

Atualmente, verifica-se entre os Tiriyó da bacia Paru de Oeste/Marapi uma situação de crescimento populacional estável que, de 1981 a 1997, apresentou uma taxa média anual em torno de 4,6 % ao ano.


01:: Foto: Denise Fajardo Grupioni, 2001.

Denise Fajardo Grupioni
fajardo@usp.br
Antropóloga, doutora em Antropologia Social pela FFLCH-USP

Maio de 2005

 
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