No
século XVI, os Tupiniquim ocupavam uma faixa
de terra situada entre Camamu, na Bahia, e o rio São
Mateus (ou Cricaré), alcançando a Província
do Espírito Santo. Esses índios também
viviam na região do rio Piraquê-Açu,
onde em 1556 foi fundada pelo jesuíta Afonso
Brás a Aldeia Nova. Um surto de varíola,
e a criação do Aldeamento dos Reis Magos,
em 1580, explicam a decadência da Aldeia Nova,
acelerada pelos ataques de formigas que destruíram
as plantações dos índios. Os jesuítas
e os grupos indígenas passaram a se concentrar
em Reis Magos, que logo se tornou um aldeamento populoso
onde, conforme Serafim Leite, na sua História
da Companhia de Jesus no Brasil, os índios eram
quase todos Tupinanquins. O aldeamento dos Reis Magos
dará origem à Vila de Nova Almeida, e
a Aldeia Nova, à Vila de Santa Cruz.
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Foi em 1610 que o superior jesuíta
da aldeia dos Reis Magos, Pe. João Martins, conseguiu
para os índios uma sesmaria de seis léguas
em quadra, conforme o mesmo Serafim Leite, cuja medição
só ocorreu em 1760, quando, através do Termo
de Concerto e Composição, os índios
de Nova Almeida e os moradores da Freguesia da Serra estabeleceram
os limites dos domínios em que mantinham posse,
transformados, por Sentença, em medição
e demarcação amigável. Abaixo da
Sentença do Ministro que estabeleceu o acordo territorial,
estava mencionado que não existia foreiro algum
dentro das terras medidas e demarcadas. Essa Sentença
diminuía os limites da Sesmaria, sendo confirmada
por Alvará ainda em 1760. Até a época
da Sentença, os jesuítas haviam aldeado
mais de 3.000 índios em Nova Almeida. No final
do século XVIII, o governador da Capitania do Espírito
Santo descreveu essa Vila como composta majoritariamente
por índios.
Quando viajou pelo Espírito Santo no início
do século XIX, o naturalista Auguste de Saint-Hilaire
soube que os índios de Nova Almeida possuíam
um território inalienável, doado pelo governo
português, e que se estendia até Comboios,
ao norte.
Nesse século, os viajantes
encontravam habitações isoladas ou pequenos
povoados de índios civilizados na região
entre o rio Doce e a Vila de Nova Almeida. Em 1860,
o próprio Imperador D. Pedro II, visitando a
região, manteve contato com uma índia
Tupiniquim em Nova Almeida, e com outros índios
de Santa Cruz e da foz do rio Sahy, não identificados
no seu diário de viagem. Os Tupiniquim afirmam
que, quando esteve em Santa Cruz, o Imperador teria
ratificado a doação das terras da sesmaria.
O pintor Auguste François Biard
retratou o modo de vida dos índios civilizados
nas matas de Santa Cruz em meados do século XIX,
descreveu os fazendeiros que exploravam madeira para
exportação utilizando o trabalho dos índios
e anotou a presença de famílias indígenas
dispersas pela floresta, comercializando madeira e mantendo
roçados de subsistência. Em 1877, o Núcleo
de Colonização de Santa Cruz contava com
55 índios naturais da Província, dividindo
o povoamento com imigrantes italianos.
Após sua criação,
em 1910, o Serviço de Proteção
aos Índios (SPI) transformou a região
norte do Espírito Santo num de seus pólos
de atuação. Aí o Inspetor do SPI
Antonio Estigarríbia conheceu vários agrupamentos
de índios civilizados de origem Tupi localizados
no baixo rio Doce e no litoral próximo. Estigarríbia
manteria contato com esses índios até
1919, enquanto seu sucessor, o Inspetor Samuel Lobo,
encontraria nessa região, em 1924, alguns índios
Tupiniquim.
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