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A partir dos anos 40, quando a Companhia Ferro
e Aço de Vitória (COFAVI) começou
a devastar as matas para produzir carvão vegetal,
os índios chegaram a trabalhar para a empresa,
fazendo derrubada. Plantavam mandioca, feijão,
milho e cana, processando a mandioca com ralador e prensa
de tipiti no quitungo, casa de farinha artesanal e familiar.
Como nas matas da região houvesse caça à
vontade, com mundéus - armadilhas de caça
- os Tupiniquim capturavam mamíferos e inúmeras
aves.
Naquela época os Tupiniquim
não se preocupavam em documentar as suas posses.
Desde que a COFAVI começou a devastar as matas
da região nos anos 40, os índios passaram
a conviver com alguns posseiros, sem conflitos. Para
desmatar, os representantes da COFAVI diziam que a terra
era do Estado, e logo transformaram matas em pastos
na região da aldeia de Pau-Brasil.
As áreas tradicionais de cultivo das aldeias
Tupiniquim foram cercadas e reduzidas, quando foram
plantados os eucaliptos pela Aracruz Florestal, no fim
dos anos 60. Seu modo de vida - o padrão de convivência
que resultava da ocupação territorial
- sofreu as pressões originadas da enorme redução
das áreas de plantio e da fixação
em determinados limites, impedindo a tradicional rotatividade
das roças.
Os poucos autores que escreveram sobre
os Tupiniquim assinalam que os anos sessenta foram decisivos
na alteração do panorama fundiário,
marcando a entrada da empresa Aracruz Florestal na região,
seguida da progressiva expulsão dos índios.
Nessa ocasião, o sofrimento dos índios
foi acompanhado por algumas manifestações
de protesto. Ao estudar os diferentes ecossistemas do
Espírito Santo em 1954, o biólogo Augusto
Ruschi se defrontou em Caieiras Velhas, na margem esquerda
do rio Piraquê-Açu, com "80 índios
Tupi-Guarani", vivendo numa área de 30.000
hectares de florestas virgens. Já em 1971 o mesmo
Ruschi lamentava a forma como era arrasada a flora e
a fauna, com o desmatamento atingindo os índios,
pois mais de 700 famílias, entre índios
e posseiros, foram desalojados da região reflorestada
pela Aracruz Florestal. Foram destruídas antigas
aldeias Tupiniquim como Araribá, Amarelo, Areal,
Batinga, Braço Morto, Cantagalo, Guaxindiba,
Lancha, Macaco, Olho d'Água e Piranema. Os índios
até hoje relatam as cenas de violência
e desrespeito que sofreram nas áreas visadas
pela Aracruz Florestal.
Em 1975, a FUNAI reconheceu a presença
dos Tupiniquim no Espírito Santo. O processo
administrativo de identificação das terras
indígenas foi conflituoso, gerando inúmeras
denúncias de índios, associações
e organismos diversos, a respeito dos prejuízos
causados por um acordo estabelecido entre a FUNAI e
a Aracruz Celulose, em 1980, quando os limites das três
Terras Indígenas foram definidos, culminando
na homologação de cada uma dessas áreas
em 1983.
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