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agricultura é uma atividade central na vida dos
Wajãpi. A abertura das clareiras condiciona a
localização das habitações
permanentes e o ritmo dos deslocamentos sazonais; o
produto das plantações, de curto, médio
e longo ciclo, contribuem em praticamente 50% dos alimentos
consumidos pelo grupo.
Os trabalhos agrícolas são
realizados segundo técnicas tradicionais de queima
e coivara; o uso de machados de ferro, aos quais os
Wajãpi do Amapari têm acesso regular há
apenas 30 anos, modificou, segundo eles, o tamanho das
clareiras, sem alterar, porém, o ritmo dos trabalhos
agrícolas. Queimar e limpar as roças são
atividades coletivas, nas quais um chefe de família
é ajudado por outros membros da comunidade, num
sistema de mutirão denominado pusirõ.
Na roça, as espécies cultivadas são
plantadas sem ordem aparente. Há uma nítida
ênfase para a mandioca brava, cujos sub-produtos
-farinha, beiju, tapioca, tucupi e caxiri- constituem
a base da alimentação.
Os outros produtos cultivados são
o milho, a banana, o cará e a batata doce, cana
de açúcar e frutas como caju, mamão,
abacaxi, além da pimenta, amendoim e feijão.
Os Wajãpi cultivam, ainda, o urucum, a cana para
as flechas, o curauá, do qual obtêm fibras
para cordas, o veneno de pesca, o algodão, cuias
e cabaças. Para cada espécie, os Wajãpi
possuem um número elevado de variedades: conhecem
mais de quinze tipos de mandioca brava, dez tipos de
batata, outros dez de cará, cinco de milho, etc... |