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Mydy taha ("grande
casa") é a denominação
dada ao espaço que constitui a aldeia,
a moradia e todo seu entorno, inclusive o roçado.
Mydy taha é também a denominação
da maloca comunal em formato circular, onde habita
a maioria das pessoas da aldeia. A Mydy taha
é um espaço importante para os Waimiri
Atroari, porque, além de moradia, serve
como espaço ritual durante suas festividades.
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São formadas de acordo com
as necessidades da comunidade, como aumento de população,
esgotamento do solo para plantio e escassez de caça.
As mydy taha são localizadas
perto de igarapés e grandes rios. Cada aldeia
dispõe de autonomia econômica e política,
não havendo poder centralizado. A formação
de uma nova aldeia dá-se de maneira gradual e
depende de uma pessoa de prestígio - mydy
iapremy ("dono da aldeia") - para mobilizar
um conjunto de grupos domésticos na construção
do novo espaço. Primeiramente escolhe-se o local,
dentro da região destinada àquele aglomerado,
e iniciam-se os trabalhos de roçado. Com o roçado
produzindo, começam a construção
de uma grande moradia comunal em formato circular -
a mydy taha. Na maloca comunal habitam vários
grupos locais constituídos por parentes afins
e cognatos, tendo cada família seu fogo e lugar
especificado.
As atividades econômicas de
uma aldeia estão baseadas na caça, pesca,
coleta de frutos silvestres e na agricultura. As caçadas
são realizadas por homens e podem ser feitas
no período noturno e diurno. As pescarias são
atividades permitidas a ambos os sexos e é comum
toda a família sair para pescar. Outra atividade
que conta com a participação de toda a
família é a coleta de frutos silvestres.
Na agricultura percebe-se maior separação
de trabalho, cabendo aos homens o desmatamento, a queimada
e a limpeza. O plantio é coletivo e todas as
famílias participam dessa atividade dividindo
coletivamente a sua produção, sendo a
coleta uma atividade feminina.
Além dos produtos produzidos
no roçado (mandioca brava, macaxeira, vários
tipos de batatas doce, cará e algumas frutas)
e dos peixes fazem parte do cardápio animais
como a antas, macacos (guariba e coatá), paca,
porcos do mato, mutum, jacamim entre outros. Nem todos
os animais e peixes são permitidos no dia a dia
dos Waimiri Atroari. Há várias restrições
alimentares que estão condicionadas a alguns
acontecimentos marcantes na vida dos Waimiri Atroari
como nascimento, ritos de passagem, primeira menstruação
e purificação antes e pós-guerra.
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O
casamento preferencial é entre primos cruzados
e traz um novo status para o casal, que, além
da "cidadania plena", passa a constituir
um novo grupo doméstico dentro do grupo
local. Com o casamento acentuam-se os compromissos
familiares: ao homem cabe a manutenção
do roçado e o provimento de alimentos para
sua família; e a mulher assume a cozinha
e cuidados com os filhos.
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A divisão de tarefas varia
de acordo com o sexo, a idade e o estado civil. As tarefas
aumentam com a idade, diminuindo, no entanto, com a
velhice. Ainda assim é comum ver os homens auxiliando
as mulheres no trato da caça e da pesca, no cuidado
com os filhos e na preparação de farinha
para consumo do grupo doméstico.
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A formação de um Waimiri
Atroari varia de acordo com o sexo. Os meninos e meninas
até aproximadamente quatro anos ficam aos cuidados
das mães e são estimulados a repetir/imitar
tarefas relacionadas a seu gênero. Nessa idade
os meninos passam por um ritual de iniciação,
tendo uma festa específica onde se comemora essa
passagem. A partir dessa faixa etária passam
a ter atividades associadas tradicionalmente ao seu
gênero.
Outra atividade constante no cotidiano
de uma aldeia é a confecção dos
artefatos. Os Waimiri Atroari são exímios
tecelãos. Toda a cestaria é confeccionada
pelos homens, que ensinam o ofício aos jovens
em idade de se casar. São eles que produzem os
objetos para o trabalho das mulheres, como o wyiepe
(cesto cargueiro), o matepi (tipiti), matyty
(cesto com tecido duplo) e o wyre (abano). Os
homens fazem também o pakra (cesto com
tampa para guardar os materiais para confecção
de flechas) de uso pessoal, o arco e as flechas que
utilizam nas caçadas e pescarias. A maioria da
cestaria dos Waimiri Atroari é ilustrada por
desenhos que eles herdaram de algumas entidades mitológicas
e também de seus antepassados. O aprendiz de
artesão inicia os trançados começando
por um desenho "simples", de acordo com sua
idade, até obter habilidade e consentimento para
tecer as ilustrações mais complexas e
permitidas somente aos homens mais velhos.
As mulheres recebem os artefatos que
utilizam de seus esposos ou sogros. Também tecem
as redes de fibra de buriti utilizadas nos partos, as
pulseiras, os colares e os abanos para o fogo. Antigamente
modelavam as panelas e os fornos de barro, hoje substituídas
pelas de alumínio e ferro.
É comum na aldeia ver-se vários
objetos que antes não faziam parte da vida dos
Waimiri Atroari. Os primeiros foram sem dúvida
os objetos cortantes e a vestimenta. Num passado recente,
um pouco mais de 30 anos, era comum ver homens vestidos
de cipó titica, que constituía o cinturão
peniano. As mulheres confeccionavam as tangas com fibra
de tucum enfeitadas com sementes de bacaba. Essa era
a indumentária tradicional dos kinja. Hoje em
dia é comum ver os homens de calção
e as mulheres com saia. |