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OS ATUAIS WAIMIRI TROARI   
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OS ATUAIS WAIMIRI ATROARI
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A terra Waimiri Atroari está localizada na Amazônia brasileira, entre o norte do estado do Amazonas e sul do estado de Roraima. Habitam a região situada à margem esquerda do baixo rio Negro, nas bacias dos rios Jauaperi e Camanaú e seus afluentes os rios Alalaú, Curiaú, Pardo e Santo Antonio do Abonari. Há muito tempo esse território, kinja itxiri (terra de kinja), era mais extenso, abrangendo os

rios Urubu, Uatumã e Anauá.

Dados censitários, no final do século XIX e início do XX, estimaram que a população Waimiri Atroari era de 2000 e 6000 pessoas respectivamente. Na década de 1970 a estimativa da Funai era de 500 a 1000 pessoas. No entanto, todos esses dados eram baseados em estimativas e não em um censo aplicado. O fato é que, devido ao seu processo histórico, os Waimiri Atroari sofreram uma baixa por causa das guerras e doenças introduzidas, chegando a população a 374 em 1988. Atualmente essa população é de 913 pessoas (dez. 2001), divididas em 19 grupos locais que compõe os três aglomerados.

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Em 1987, um projeto de mitigação aos impactos ambientais causados pela Usina Hidrelétrica de Balbina (UHE Balbina) foi elaborado e proposto aos Waimiri Atroari, a Eletronorte e a Funai. Tratava-se do Programa Waimiri Atroari, que previa ações nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, apoio à produção, vigilância dos limites, documentação e memória. Aceita a proposta pelas partes interessadas, foi firmado um acordo entre as instituições Funai e Eletronorte, sendo a primeira executora e a segunda financiadora do projeto. A partir desse convênio, a área foi demarcada, com uma superfície de 2.585.911 ha., e homologada em 1989.

Os Waimiri Atroari têm acesso à educação escolar diferenciada, onde eles mesmos pensam e conduzem o processo de escolarização, ao atendimento médico e odontológico e a taxa de crescimento vegetativo varia em uma média de 5,68% ao ano. Têm procurado administrar as novas demandas decorridas do processo de encontro de culturas e utilizam os vários produtos industrializados em benefício da melhoria das condições de trabalho e na redução entre distâncias a serem percorridas. A melhoria na qualidade de vida pode ser observada no cotidiano dos kinja, que mais tempo têm para se dedicar às atividades sócio-economicas-culturais e no aumento da natalidade, que pode ser expressa pela quantidade de meninos a serem iniciados nos maryba, mais freqüentes e imprescindíveis na agenda cultural dos Waimiri Atroari.

01:: Velho Waimiri Atroari. Foto: Sergio Bloch, 2000.

02:: Entre as ações do programa Waimiri Atroari, destaca-se a assistência à saúde, que conseguiu reduzir o alto índice de mortalidade causado pelas doenças introduzidas pelo contato com a sociedade envolvente. Foto: Nádia Barboza, 1999.

03:: Os Waimiri Atroari são guerreiros conhecidos na região pela defesa de seu território. Foto: Henrique Cavallero, 1999.

04:: A educação no Programa Waimiri Atroari é voltada para valorizar a cultura indígena e ao mesmo tempo preparar os Waimiri Atroari para o contato com o mundo dos brancos. Foto: Nádia Barboza, 1999.

Maria Carmen R. Do Vale
Coordenadora do Subprograma de Educação, Documentação e Memória do Programa Waimiri Atroari
carmen@waimiriatroari.org.br
Fevereiro, 2002

 
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