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Durante
vários períodos do ano, os Waimiri
Atroari interrompem suas atividades cotidianas
para realizarem suas festas. Não há
um calendário específico para os
maryba e as datas são definidas com os
eremy (cantores), ocorrendo geralmente nos períodos
de pouco trabalho comunitário, como preparo
e plantio de roçados.
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Maryba pode ser traduzido como festa,
canto, dança. É um momento ritual e também
um momento festivo, onde há suspensão
do cotidiano para se transportar para um outro tempo
e espaço. As festas têm um significado
especial na vida dos Waimiri Atroari é onde vários
grupos locais se reúnem para estabelecer e reafirmar
alianças entre eles e os diversos aglomerados.
Algumas histórias são
referências para explicar o surgimento dos maryba.
As mais conhecidas são as seguintes:
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Na
época de tahkome, kinja não fazia
festa, não sabia cantar nem dançar.
Xiriminja, que cedeu esposas aos tahkome, ensinou
um maryba para ser cantado na ocasião em
que foi visitar seu neto. Enviou recado pedindo
para que ninguém chegasse perto de seu
descendente, pois queria certificar-se que ele
tinha os traços do povo d'água:
os dedos ligados por uma membrana. Chegando na
aldeia, com todo seu séquito de cobras
grandes e outros xiriminja,
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assustou a todos. Porém, logo que saíram
das águas os habitantes da aldeia já escutavam
seus cantos e puderam ver sua dança. Dançaram
e cantaram junto com kinja.
Dentro da maloca, uma criança
panaxi (muito curiosa e travessa) quis observar a criança
neta de Xiriminja e, quando viu a mão parecida
com um pé de pato, esticou os dedos e rasgou
a membrana. Xiriminja, muito irado, retornou para sua
moradia. Dessa maneira, somente um pouco dos cantos
pode ser aprendido. Esses cantos e danças são
executados no maryba de iniciação masculina,
mas não pode haver nenhuma mulher gestante participando,
pois Xiriminja pode pensar ser aquele o seu neto.
Num outro momento, kinja tahkome estava
caçando e parou para dormir um pouco. Um pingo
de água caiu em seus cílios e, ao abrir
os olhos, observou que havia uma mulher diante dele.
Tratava-se de weriri kyrwaky, a filha do papagaio. Kinja
ia flechar essa mulher, no entanto seu pai interviu
e prometeu a filha em casamento. Esse kinja casa-se
com a mulher papagaio e a leva para a aldeia. Lá,
weriri kyrwaky ensina vários cantos e danças
para os Waimiri Atroari. Passado muito tempo, weriri
kyrwaky sente saudades de seu pai e começa a
cantar no roçado para chamar atenção
de seu genitor. O esposo desconfiado da artimanha de
sua cônjuge mata-a para não deixá-la
fugir. Desde de então, até hoje, kinja
passou a cantar e dançar todos os maryba que
aprendeu com seus antepassados.
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