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Os Xavante tornaram-se famosos no Brasil em fins da década
de 1940, com a massiva campanha que o Estado Novo empreendeu
para divulgar sua Marcha para o Oeste. A campanha
promoveu a equipe do SPI (Serviço de Proteção
aos Índios) por seu trabalho de pacificação
dos Xavante. No entanto, o grupo local que foi pacificado
pelo SPI em 1946 constituía apenas um dentre os diversos
grupos xavante que habitavam o leste do Mato Grosso, região
que o Estado brasileiro então procurava franquear
à colonização e à expansão
capitalista. Na versão Xavante, é importante
notar, foram os brancos os pacificados.
De meados da década de 1940 a meados da de 60, grupos
xavante específicos estabeleceram relações
pacíficas diversificadas com representantes da sociedade
envolvente representantes diferenciados entre si,
incluindo equipes do SPI, missionários católicos
e protestantes. Os agentes do contato e as maneiras como
este se deu influenciaram os grupos xavante de distintos
modos. Crenças e práticas religiosas, bem
como algumas instituições sociais e práticas
cerimoniais foram afetadas, em especial entre aqueles que
travaram contato com missionários, sejam eles católicos
ou evangélicos. Apesar desses impactos, a Cultura
Xavante continua a se manifestar com extrema vitalidade,
sendo retransmitida de geração em geração
através da língua e de inúmeros mecanismos
sociais, cosmológicos e cerimoniais. Para além
de algumas diferenças notadas pelos etnógrafos
entre os diversos grupos locais xavante por conta das referidas
experiências distintas de contato, a língua
comum, os padrões de organização social
e instituições, as práticas cerimoniais
e a cosmologia definem os Xavante como uma totalidade social.
Suas comunidades, contudo, são politicamente autônomas,
ainda que às vezes se unam para atingir objetivos
comuns.
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01:: Troca de presentes
entre grupos locais xavante e o Serviço de Proteção
ao Índio (SPI).
foto: Lamônica/Museu do Índio (1951)
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