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A
população indígena do Rio Xié
costuma trabalhar na extração da fibra
da piaçabeira. Normalmente, a partir do mês
de outubro até fevereiro do ano seguinte,
os índios iniciam um período preparatório,
que se confunde com a época do ano em que
as famílias permanecem nas comunidades ou
sítios, dedicando a maior parte do tempo
de trabalho às atividades agrícolas,
de caça, pesca e coleta. |
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Em seguida, há o deslocamento
para as barracas de piaçava, situadas a
montante, período que pode durar até
dois meses, dependendo da distância entre
a comunidade e o ponto da barraca. Nos meses da
cheia, de maio a setembro, há o corte e
o processamento da piaçava, posteriormente
entregue ao patrão como pagamento de dívidas
contraídas anteriormente. Trata-se, portanto,
de um ciclo anual, em que a atividade
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extrativa não está dissociada das demais
atividades cotidianas da vida Werekena e Baré,
tais como as tarefas domésticas, a caça,
a pesca, a coleta, o trabalho na agricultura e a confecção
de objetos de trabalho. Desse modo, a atividade extrativa
não está isolada, mas “encaixada”
em um sistema maior de produção da vida
econômica e social da população local.
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Uma rede de pequenos, médios
e grandes comerciantes foi responsável
em grande parte pelo deslocamento compulsório
de populações indígenas de
suas regiões de origem para as áreas
de exploração extrativista. Entretanto,
quando do final do “fabrico” ou após
a crise de certo produto, como foi o caso da borracha
e da balata no século XIX, muitas famílias
ou indivíduos retornavam a suas regiões.
É nesse sentido que a
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exploração do trabalho extrativo pelos comerciantes
é um dos componentes fundamentais para se compreender,
hoje, as sociedades indígenas do Alto Rio Negro.
Do ponto de vista econômico
e político, tal atividade mantêm-se com
destaque entre os índios do Rio Xié, na
medida em que a piaçava representa, juntamente
com o cipó, o principal recurso natural cuja
comercialização permite o acesso daquela
população a alguns itens industrializados
de que necessitam, estes adquiridos de comerciantes
intermediários. Este é um fator que leva
à continuidade dessa atividade na região
e que lhe confere uma relevância social.
Desde a década de 70, principalmente
devido ao decréscimo da atividade extrativa na
região, provocada sobretudo por fatores externos,
a categoria do “grande comerciante” deixou
de existir na região, mantendo-se apenas, com
poder reduzido, o “pequeno” e o “médio”,
sendo o último responsável pela conexão
com outros mercados. A maioria dos pequenos comerciantes
é indígena e negocia com seus “patrões”
mestiços ou brancos. Há porém muitos
médios comerciantes, como os que atuam no Rio
Xié, que mantém seu vínculo diretamente
com os fregueses, sem o intermédio do pequeno
comerciante. A tendência atual deste é
ser independente, ou seja, vender o produto direto em
São Gabriel da Cachoeira.
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