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A iniciativa de formar associações
significa, sobretudo, a tentativa dos índios
de conquistar autonomia na gestão dos interesses
comunitários que têm interface com o mundo
institucional, público e privado, da sociedade
nacional. Nos últimos anos, foram criadas no
PIX cinco associações e, ao que parece,
este número deve aumentar. Das existentes, três
estão ligadas a interesses locais de aldeias específicas:
Mavutsinim, dos Kamaiurá; Jacuí, dos Kalapalo,
bem como a associação dos Wauja. Em 1994,
foi criada a Atix (Associação da Terra Indígena
do Xingu), que abrange as 14 etnias do Parque, atendendo
a interesses interlocais. Na sua pauta, constam projetos
de revitalização cultural, proteção
e fiscalização do território, além
de programas de educação, saúde e
alternativas econômicas. A Atix conta com apoio
institucional da Rainforest Foundation da Noruega e assessoria
do ISA.
As associações, de um modo geral,
são dotadas de uma estrutura administrativa que
não existe nas formas tradicionais de organização
política das sociedades indígenas.
A assimilação e gestão de um
modelo associativista com feições burocráticas
colidem com a política tradicional, pois pressupõem
o domínio da língua portuguesa, de operações
matemáticas, de legislação e de
relações interinstitucionais que regem
o universo das entidades de direito privado. Conseqüentemente,
uma associação indígena nem sempre
consegue conciliar a política tradicional da
aldeia, geralmente controlada pelos mais velhos, com
a gestão política dos assuntos que têm
interface com a sociedade nacional, o que via de regra
vem sendo monopolizado por indivíduos mais jovens.
São eles quem dominam os novos conhecimentos
indispensáveis na administração
dessa interface.
A sustentabilidade de uma associação
com o perfil amplo da Atix, que gerencia um conjunto
diversificado de projetos, requer parcerias que apóiem
o seu funcionamento, pelo menos parcialmente. Como a
Atix incorpora nos seus quadros pessoas de diferentes
etnias, sua sede não se localiza em uma aldeia
mas no Posto Indígena Diauarum, com uma sub-sede
na cidade de Canarana (MT). Este quadro exige, sem dúvida,
dedicação exclusiva da maioria dos seus
membros, os quais, além do mais, têm de
estabelecer residência junto à sede da
Associação. Daí a dificuldade de
se garantir o funcionamento de uma associação
dessa natureza sem um apoio institucional.
Um outro aspecto importante para a sustentação
das associações é a questão
da capacitação dos seus membros para gerirem
adequadamente os aspectos administrativos, financeiros
e de relações externas. Nesse sentido,
a Atix tem buscado, com a assessoria do ISA, um intenso
e contínuo esforço de capacitação
de sua equipe. Desde 1995 vem promovendo e participando
de diversos cursos, como os de mecânica (em parceria
com o Senai-PA), de computação para a
diretoria, de auto-escola e elaboração,
administração e contabilidade de projetos.
No contexto do Parque, onde a administração
da Funai está, desde 1985, sob controle dos índios,
o crescimento da Atix significa, de certa forma, uma
nova alternativa de gestão que vai revelando
as contradições de um processo no qual
os índios foram alçados à condição
de condutores das ações do Estado, sem
que lhes tivessem sido dadas as condições
adequadas para desempenhar esse papel com autonomia.
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