 |
::01 |
 |
|
A similaridade
cultural entre os povos do Alto Xingu, cultivada
pelas trocas, casamentos e rituais intergrupais,
também se faz presente numa série
de outros aspectos, como a predominância do
uso do peixe sobre o da carne e o mesmo ideal de
comportamento, que valoriza a generosidade (a disposição
em doar) e a contenção dos humores.
|
Para além das especializações
de cada povo, há itens produzidos em todas as
aldeias do Alto Xingu, tais como bancos zoomórficos
esculpidos em uma só peça de madeira;
o propulsor de dardos para uso no rito do Jawari;
o uso do uluri, peça feminina constituída
de um pequenino triângulo de líber colocado
sobre o púbis e amarrado à cintura com
fio de buriti; o corte de cabelo curto e ovalado para
os homens e longo com franja para as mulheres; os mesmos
adereços e pinturas corporais; a constituição
de aldeias circulares, com grandes malocas ovais, tendo
a gaiola do gavião-real e casa das flautas sagradas
(proibida às mulheres) no pátio central.
Entretanto, essa uniformidade não é completa:
as línguas são diferentes, há peculiaridades
culturais que particularizam cada povo e, sobretudo,
a identidade de cada etnia é cultivada de modo
a não se diluir na sociedade alto-xinguana.
É principalmente quando contrastados
com os povos ao norte do Parque que a homogeneidade
alto-xinguana ganha contornos mais definidos, uma vez
que essas etnias, desde que chegaram na região,
mantiveram contato hostil ou amistoso com o Alto Xingu,
mas nunca chegaram a integrar com eles o mesmo sistema
sócio-político-ritual. Os alto-xinguanos,
por sua vez, reservaram a esses grupos um lugar cosmológico
apartado, colocando-os na categoria de índios
bravios.
Há, contudo, um esforço de articulação
entre todos os povos habitantes do Parque para a discussão
de problemas comuns, tendo como agente mediador a Atix
(Associação Terra Indígena do Xingu),
cujas assembléias reúnem as lideranças
de todas as etnias (a esse respeito, ver o item associações
indígenas).
|