Outro rito
que envolve convite a outras aldeias é o do Jawari,
realizado por volta do mês de julho. Trata-se de
uma série de disputas, cada qual entre dois indivíduos
de etnias diferentes, colocados a cerca de seis metros
um do outro. Cada um por sua vez atira dardos no adversário,
procurando atingi-lo da cintura para baixo. Os jogadores
se protegem escondendo-se, esquivando-se ou pulando atrás
de um feixe de varas, que não podem mover do chão.
Os dardos têm suas pontas embotadas com bolas de
cera e suas hastes são enfiadas num coco de tucum
(chamado Jawari em língua Kamaiurá,como
o rito ficou mais conhecido), com furos, que os faz sibilar,
quando atirados. Os dardos são lançados
com ajuda de um propulsor, instrumento amplamente difundido
no passado, mas que hoje, no Brasil, só existe
no Alto Xingu e cujo uso se limita e esse jogo.
Para a realização do rito, três
emissários, um principal e dois auxiliares, são
enviados à aldeia a ser convidada, que comparece
no dia combinado, sendo recebida pelos mesmos emissários,
que lhes levam cauim e beijus. Os convidados fazem um
acampamento fora da aldeia. No dia seguinte, entram para
realização da disputa.
Nos dias precedentes ao jogo, os adversários
devem ter treinado assiduamente, usando como alvo um
boneco feito de folhagem amarrada com embira. Também
devem ter evitado as relações sexuais
e o consumo de peixe.
Uma vez terminada a disputa, alimentos são
oferecidos aos visitantes. Junto a uma panela de cerâmica,
alguns dardos e propulsores de um e de outro grupo são
quebrados, sendo em seguida queimados. Terminada a refeição,
os convidados partem de volta para sua aldeia.
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