| O chefe Yaminawá
pode ser designado pelos termos diyewo, tuxaua,
patrão e liderança, quatro termos que
resumem a história política Yaminawá deste
século. Um diyewo é um rico, um
cabeça de família poderoso, de quem dependem
muitos jovens; alude a um tipo de chefia que ainda existe
e que opera no âmbito do parentesco.
O tuxaua e o patrão nos lembram da época
de vinculação dos Yaminawá a seringais
e fazendas. O tuxaua era em geral um diyewo mais
ou menos importante que estabelecia relações
de clientela ou compadrio com um patrão branco,
dentro do sistema de "aviamento" comum na
Amazônia. O poder do tuxaua reside na sua habilidade
para lidar com o mundo externo; e essa mesma habilidade
pode convertê-lo em "patrão"
aos olhos dos seus seguidores.
A "liderança" pertence à época
em que os Yaminawá estabelecem alianças com brancos
distantes, começando pela FUNAI e acabando com
ONGs nacionais ou internacionais, que lhes possibilitam
uma ampla autonomia dos patrões locais. Em certo
sentido, e malgrado o discurso tradicionalista que a
carateriza, é esta versão da chefia a
que mais se distancia do modelo do diyewo: trata-se
de um homem mais jovem, cujo peso dentro do sistema
de parentesco é baixo. A persistência no
uso dos quatro termos indica que os quatro modelos de
autoridade convivem nos dias de hoje, e as contradições
entre eles talvez estejam na raiz da instabilidade Yaminawá.
É importante assinalar que é o chefe quem
"constrói" o grupo para além
dos vínculos ativos de parentesco: sua fraqueza
tem conseqüências estruturais.
|