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Os Yawalapiti, como os demais alto-xinguanos,
vivem basicamente da agricultura e da pesca. A caça
reduz-se a algumas aves consideradas comestíveis
(jacu, mutum, macuco, pomba), aos macacos-prego, eventualmente
comidos, e à aquisição de penas
para enfeites; certas aves são também
convertidas em animais de estimação. A
agricultura concentra-se no cultivo da mandioca brava
(maniot utilissima), mas outras variedades de
mandioca são plantadas em menor quantidade. Milho,
banana, algumas espécies de feijão, pimenta,
tabaco e urucum são algumas das outras espécies
cultivadas.
A pesca é atividade masculina por excelência;
os rios da região são abundantes em peixe
e, na época da seca, quando os rios baixam, os
Yawalapiti utilizam redes (de procedência não
indígena), anzóis, flechas e timbó
(cipó cuja seiva asfixia os peixes) para a obtenção
deste alimento. Os peixes podem ser assados direto no
fogo, moqueados (colocados sobre jiraus a fogo lento)
ou cozidos.
A região e seus recursos são aproveitados
pelos Yawalapiti para a maioria de suas necessidades:
fibras de buriti para redes e cestos, sapé para
a cobertura das casas, taquara para flechas, raízes
e folhas como remédios, entre outros. O sal tradicionalmente
usado na alimentação era fornecido principalmente
pelos Mehinako, e provinha do cozimento das cinzas de
uma planta aquática. As grandes panelas de preparação
da mandioca provêm dos Mehinako e Wauja, que detêm
a tecnologia de sua fabricação.
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A mandioca é plantada pelos homens, que
derrubam, queimam e limpam as roças. Estas são
propriedade individual, masculina, assumida tão
logo o jovem entra em reclusão (14-17 anos).
Esses direitos de propriedade não incidem sobre
a terra como tal, mas apenas a plantação
de mandioca. As mulheres arrancam as raízes,
carregam-nas, ralam-nas e espremem seu suco venenoso.
A mandioca é basicamente consumida sob a forma
de beiju (ulári) - torrada de polvilho,
chata, assada em tachos circulares -, de mingau de beiju
dissolvido em água (uluni), e de um mingau
resultante da fervura do suco venenoso (nukaya).
O polvilho que resta no fundo das panelas de espremer,
bem como parte da massa, é armazenado em silos
no centro das casas.
A cozinha é feita indiferentemente por
homens e mulheres, no que diz respeito aos produtos
da pesca; a manipulação da mandioca depois
de plantada, contudo, é inteiramente feminina.
As mulheres são também encarregadas do
fornecimento de água na aldeia. São elas
que fiam o algodão - também plantado -,
tecem as redes e as esteiras de espremer mandioca, e
preparam a pasta de urucum, o óleo de pequi e
a tinta de jenipapo, usados na ornamentação
corporal. Os homens fazem os cestos, os instrumentos
cerimoniais (flautas e chocalhos), e realizam todos
os trabalhos em madeira (bancos, arcos, pilões,
pás de virar o beiju etc.). São ainda
os homens que constroem as casas.
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