|
O primeiro contato historicamente registrado
dos Yawalapiti com não indígenas ocorreu
em 1887, quando foram visitados pela expedição
de Karl von den Steinen. Nesse período, estavam
localizados no alto curso do rio Tuatuari, numa região
entre lagoas e pântanos identificada pelos Yawalapiti
como sítio de muitas de suas aldeias. O etnólogo
alemão ficou impressionado com a pobreza desses
índios, que mal dispunham de alimento para oferecer
aos visitantes; os Yawalapiti identificam essa época
como o início de sua decadência como grupo,
que iria culminar na dissolução da aldeia
na década de 1930. Von den Steinen menciona dois
chefes yawalapiti, Mapukayaka e Moritona (possivelmente
Aritana), nomes ainda hoje presentes na genealogia desse
povo, que é capaz de traçar sua ascendência
até esses contemporâneos de von den Steinen.
Os Yawalapiti contam ter saído da "aldeia
dos tucuns", próximo à confluência
dos rios Kuluene e Batovi, devido a ataques dos Manitsawá
- ou, dizem alguns, dos Trumai - que dizimaram muitos
dos seus. Tatîwãlu, chefe dessa aldeia
e mais remoto ancestral histórico dos Yawalapiti,
lá morreu. Seu irmão Waripirá e
seu "primo cruzado" (italuñiri) Yanumaka
vieram subindo o Kuluene, liderando os Yawalapiti restantes.
Na boca do Tuatuari, houve a divisão do grupo:
Yanumaka seguiu pelo Tuatuari acima e Waripirá
foi até as cabeceiras do Kuluene. O grupo de
Yanumaka estabeleceu-se em Yakunipi, primeira aldeia
dos atuais Yawalapiti.
Em razão do crescimento populacional,
os Yawalapiti de Yakunipi abriram outras aldeias na
região conhecida por Puía ("Lagoa"), um
triângulo de terras altas entre lagoas e buritizais
alimentados por um braço do Twatwarí.
A maior aldeia aí foi a de Ukú-píti
("aldeia das flechas"), antigo sítio Mehinako,
abandonado por estes devido a espíritos que infestavam
as lagoas e roubavam crianças.
Na metade da década de 1940, após
terem ocupado o sítio de Palusáya-píti
(anteriormente associado aos Mehinako), os Yawalapiti
sofreram uma séria crise, que levou a uma dispersão
temporária de sua população entre
aldeias kuikuro, mehinako e kamaiurá. Na época
da chegada dos Villas Bôas à região,
os Yawalapiti reconstruíram sua aldeia, reorganizando-se
como grupo. Entre 1948 e 1950, reorganizaram-se no antigo
sítio das lagoas (Puía), de onde
saíram (por sugestão dos Villas Bôas)
no início dos anos 1960, transferindo-se então
para Emakapúku, perto do Posto Leonardo. Atualmente,
na aldeia, além do núcleo "original" Yawalapiti,
vivem índios kamaiurá e kuikuro, kalapalo,
wauja e mehinako.
|