| Os Yawanawa
mantêm relações continuadas com
o homem branco há um século aproximadamente:
primeiramente encontros fugazes e violentos com os caucheiros
peruanos e posteriormente um contato mais continuado
com os seringalistas brasileiros. Durante décadas
trabalharam para diversos patrões, produzindo
borracha no seringal Kaxinawa, que só foi abandonado
no ano 1992, com a implementação dos novos
projetos em parceria com empresas privadas estrangeiras.
No começo da década de 80, este
panorama mudou bastante. Jovens líderes, educados
na cidade, cientes dos direitos indígenas, conseguiram
o reconhecimento e a demarcação da TI
Rio Gregório por parte do governo federal e,
apoiados pela FUNAI e pela Comissão Pró-Índio
do Acre, expulsaram os funcionários da Paranacre,
empresa que tinha comprado a área do seringal
para sua exploração madeireira e pecuária.
Nesta mesma época, os missionários das
Novas Tribos do Brasil, estabelecidos na aldeia durante
anos, foram também expulsos da TI pelos próprios
Yawanawa. No tempo que ficaram na aldeia, criaram conflitos
ao entenderem que algumas práticas indígenas,
como o consumo de ayahuasca ou a execução
de danças rituais, por exemplo, não se
adequavam à doutrina por eles pregada. Na atualidade,
ainda que perdure a lembrança dos missionários,
apenas algumas pessoas expressam suas convicções
religiosas, e são poucos os que mantêm
uma relação direta com os pastores.
Depois da demarcação da TI, iniciou-se
uma nova etapa caracterizada pelo empreendimento de
novos projetos que visavam fornecer uma alternativa
econômica para o desenvolvimento sustentável
da aldeia: com a Aveda corporation contrataram a produção
de urucum, utilizado como corante em seus produtos cosméticos.
É relevante também mencionar que
nesta nova etapa os Yawanawa criaram uma escola e um
posto de saúde na aldeia administrados respectivamente
por professores e agentes de saúde indígenas
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