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| Ainda que atualmente
o aspecto mais destacável do xamanismo yawanawa
seja a cura, em tempos passados suas funções
estavam mais diversificadas e atendia a outros aspectos
da cultura como a guerra e a caça. A respeito da
cura, existem várias técnicas praticadas
pelos especialistas yawanawa — o canto de cura, o assopro...-
entre as quais se destaca na atualidade a reza, chamada
shuãnka. Durante as sessões de cura,
o xinaya — nome que recebe o rezador — ingere ayahuasca
e reza sobre um pote cheio de caiçuma de mandioca
que posteriormente beberá o doente. Um aspecto
interessante desta prática é que o diagnóstico
da doença se estabelece a partir do sonho que teve
o paciente antes de adoecer. Da mesma forma que existem
diferentes técnicas xamânicas, há
também diversas denominações para
designar a cada especialista (yuvehu, kushuintia,
shuintia). A iniciação xamânica
consiste em quatro processos paralelos: a realização
de certas provas (chupar o coração de uma
sucuri, derrubar uma colmeia de abelhas); o cumprimento
de resguardos estritos que implicam a abstinência
sexual e de certos alimentos; a ingestão de certas
substâncias alucinógenas (ayahuasca, pimenta,
datura, rapé de tabaco, rarë — planta
não identificada-, caldo de tabaco); e o aprendizado
dos conteúdos específicos de cada técnica,
isto é, os cantos de cura e as rezas. O poder xamânico
é ambivalente já que outorga simultaneamente
a capacidade de curar e de provocar doenças. As
acusações de feitiçaria e envenenamento
entre os Yawanawa são tanto intergrupais como intragrupais,
provocando em ocasiões tensões sociais que
podem derivar em fissões. Hoje em dia a comunidade
conta com dois rezadores e cinco especialistas em remédios
vegetais. |
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| Miguel Carid Naveira
Laura Pérez Gil
Mestres pelo
PPGAS — UFSC
lperez@cfh.ufsc.br
Outubro 1999
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