Artes
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Motivo gráfico que os Bakairi (MT)
utilizam na fabricação de uma máscara do
ritual yakuygâde. Retangular e entalhada em madeira, a
máscara
representa espíritos tutores
relativos ao mundo aquático. Desenho de Odil Apacano,
s/d.
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Esta tatuagem facial faz parte do segundo ritual de iniciação
dos Karajá (MT/ TO), que se dá quando a menina está por volta
dos 11 anos.
Foto: Vladimir Kozak, s/d.
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Hilda Tomás do Carmo, índia Tikuna (AM),
mostra o desenho que representa a festa da moça nova.
Foto: Jusssara Gruber/1999.
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A cerâmica karajá é arte exclusiva das
mulheres.
Foto: Vladimir Kozak, s/d.
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Desenhos minuciosos e simétricos, traçados
com tinta obtida da mistura do suco do jenipapo com pó de carvão,
marcam, até hoje, a pintura corporal dos Kadiwéu.
Foto: Claude Lévi-Strauss, 1935.
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Entre os Kadiwéu (MS). também são as mulheres
que decoram a cerâmica. Elas utilizam padrões que
seguem um repertório rico, mas que são fixos, de
formas preenchidas com variadas cores.
Coleção FFLCH/USP, 1935.
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As máscaras tikuna, que guardam
características essenciais do sobrenatural, "dançam"
no pátio da aldeia.
Foto: Jussara Gruber, 1979.
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As máscaras dos Matis (AM) representam
os espíritos mariwin,
cujo papel tradicional é bater nas crianças para estimular sua
crença.
Foto: Philippe Erikson, s/d.
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Entre os Xikrin, a qualidade de pintura
é considerada atributo inerente à natureza feminina.
Foto: Michel Pellanders, s/d.
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No ritual de nominação dos Xikrin do Cateté,
as meninas são, por meio da pintura corporal e da elaborada arte
plumária, literalmente transformadas em pássaros.
Foto: Isabelle Vidal Giannini, 1996.
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Índio baniwa do alto Içana (Amazonas)
coloca etiqueta com a logomarca arte baniwa num urutu
de arumã, cestaria que é comercializada em São Paulo.
Foto: Pedro Martinelli, 2000.
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A maruana, roda-de-teto com pinturas
que representam lagartas sobrenaturais, está presente em
todas casas wayana. Desenho de Yeyé.
Foto: Lúcia Hussak Van Velthen, 1984.
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Esta peça de cestaria dos Wayana (PA)
guarda o motivo kaikui, a onça pintada que representa simbolicamente
os guerreiros.
Foto: Lúcia Hussak Van Velthen, 1984.
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O towa, instrumento de percussão
dos Wari´ (RO), é feito de argila revestida de caucho de seringueira.
Foto: Aparecida Vilaça, 1995.
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O conceito de arte e os índios
Arte é uma categoria criada pelo homem ocidental. E,
mesmo no Ocidente, o que deve ou não deve ser considerado arte
está longe de ser um consenso. O que não dizer da aplicação
desse termo em manifestações plásticas de povos
que nem ao menos possuem palavra correspondente em suas respectivas
línguas?
O assunto é complexo e, a despeito da inadequação
do termo, muitas obras indígenas têm impactado a sensibilidade
e/ou a curiosidade do homem branco desde o século
XVI, época em que os europeus aportaram nas terras habitadas
pelos ameríndios. Nesse período, objetos confeccionados
por esses povos eram colecionados por reis e nobres como espécimes
raros de culturas exóticas e longínquas.
Até hoje, uma certa concepção museológica
dos artefatos indígenas continua a vigorar no senso comum. Para
muitos, essas obras constituem artesanato, considerado uma
arte menor, cujo artesão apenas repete o mesmo padrão
tradicional sem criar nada novo. Tal perspectiva desconsidera que a
produção não paira acima do tempo e da dinâmica
cultural. Ademais, a plasticidade das obras resulta da confluência
de concepções e inquietações coletivas e
individuais, apesar de não privilegiar este último aspecto,
como ocorre na arte ocidental.
Confeccionados para uso cotidiano ou ritual, a produção
de elementos decorativos não é indiscriminada, podendo
haver restrições de acordo com categorias de sexo, idade
e posição social. Exige ainda conhecimentos específicos
acerca dos materiais empregados, das ocasiões adequadas para
a produção etc.
As formas de manipular pigmentos, plumas, fibras vegetais, argila, madeira,
pedra e outros materiais conferem singularidade à produção
ameríndia, diferenciando-a da arte ocidental, assim como da produção
africana ou asiática. Entretanto, não se trata de uma
arte indígena, e sim de artes indígenas,
já que cada povo possui particularidades na sua maneira de se
expressar e de conferir sentido às suas produções.
Os suportes de tais expressões transcendem as peças exibidas
nos museus e feiras (cuias, cestos, cabaças, redes, remos, flechas,
bancos, máscaras, esculturas, mantos, cocares....), uma vez que
o corpo humano é pintado, escarificado e perfurado; assim como
o são construções rochosas, árvores e outras
formações naturais; sem contar a presença crucial
da dança e da música.
Em todos esses casos, a ordem estética está vinculada
a outros domínios do pensamento, constituindo meios de comunicação
entre homens, entre povos e entre mundos e modos de conceber,
compreender e refletir a ordem social e cosmológica.
Nas relações entre os povos, os artefatos também
são objeto de troca, inclusive com o homem branco.
Ultimamente, o comércio com a sociedade envolvente têm
apontado uma alternativa de geração de renda por meio
da valorização e divulgação de sua produção
cultural. A Arte
Baniwa, marca criada por índios Baniwa do Alto rio Negro
(AM), é um exemplo bem sucedido dessa empreitada.
Saiba mais sobre o assunto no artigo de Lúcia Hussak Van
Velthen, "Em outros tempos e nos tempos atuais: arte indígena",
no catálogo Artes Indígenas - Mostra do Redescobrimento.
São Paulo, Fundação Bienal de SP, 2000. E no livro
Grafismo Indígena: Estudos de Antropologia Estética, organizado
por Lux Vidal. Sâo Paulo, EDUSP/Nobel, 2001.