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O Estado
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Na política indigenista, temos a presença central do Estado nacional brasileiro. O Estado atribui a si próprio o papel de responsável pela proteção da integridade física e cultural dos diversos povos indígenas que vivem em seu território. Orientado a partir da noção de tutela, que define os índios como relativamente incapazes de exercerem os direitos civis [ver seção: direitos], o Estado monopolizou, por décadas, a quase totalidade dos serviços e cuidados para com os índios.

Entre as inúmeras tarefas contidas no âmbito de sua responsabilidade, devemos citar: o processo de reconhecimento e regulamentação jurídica das Terras Indígenas; a organização do atendimento à saúde dos índios; a formulação de políticas educacionais específicas e diferenciadas; a proteção e defesa de grupos ameaçados por frentes de expansão econômica, como madeireiros, posseiros e garimpeiros [ver: página conflitos e polêmicas] etc.

Atualmente, o órgão oficial responsável pela política indigenista no Brasil é a Funai (Fundação Nacional do Índio). Fundada em 1967, a Funai veio substituir o SPI (Serviço de Proteção ao Índio), criado em 1910 e extinto em decorrência de uma série de denúncias de corrupção.

A estrutura institucional da Funai, além da sede em Brasília, compreende 46 Administrações Regionais, cinco Núcleos de Apoio Indígena, dez Postos de Vigilância e 344 Postos Indígenas, distribuídos em diferentes pontos do país.

O desempenho da Funai em cumprir as atribuições outorgadas na Constituição é, contudo, alvo de inúmeras críticas. De maneira suscinta, podemos dizer que o teor geral dos questionamentos que se faz à ação do Estado junto aos índios salienta a sua incompetência e inoperância diante da pauta de ações que está sob sua responsabilidade, como também diante das demandas dos índios.

O atual momento reserva mudanças importantes para a política indigenista oficial. Há uma grande discussão em torno do novo Estatuto dos Povos Indígenas, que trataria, entre outras medidas, de implementar e regulamentar modificações já definidas na Constituição de 1988 [ver seção: direitos]. Um dos temas que alimenta o acalorado debate em torno do novo estatuto é a questão do fim da tutela dos índios pelo Estado. Esta decisão terá certamente implicações importantes para o destino dos índios e seus parceiros.

Já ocorre, por outro lado, um progressivo processo de descentralização das atribuições da Funai. Cada vez mais, o órgão indigenista oficial se vê obrigado a partilhar as suas responsabilidades com outras agências governamentais e com instituições da sociedade civil. É o caso da educação indígena, como também da saúde, com a criação do Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

 

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