O que sabemos
dos índios
Grande parte do que nós, não-índios, acreditamos saber sobre os índios
são fatos fragmentados, histórias superficiais e imagens genéricas,
enormemente empobrecedoras da realidade. A começar da maneira rala
quando não preconceituosa ou desinformada como nossas escolas
e livros didáticos tratam do assunto. E a mídia, de modo geral, também
não contribui muito para uma melhor compreensão da realidade indígena.
A coisa mais comum de se ler, ver ou ouvir na imprensa são notícias
com o nome das "tribos" trocado, grafado ou pronunciado de maneira aleatória.
Não raro, um determinado povo indígena é associado a locais onde nunca
viveu, ou ainda a imagens que, na verdade, são de outra etnia.
O público leigo interessado em saber algo mais sobre os povos indígenas
que vivem no Brasil encontra muitas dificuldades. Em primeiro lugar,
porque os canais e espaços para a
expressão diretamente indígena no cenário cultural
e político do país, embora cada vez mais presentes, ainda são poucos
(ver Os índios por eles mesmos).
Muitas vezes vivendo em locais de difícil acesso, com tradições basicamente
orais de comunicação e na condição de monolíngües, com parco domínio
do português, as diferentes etnias encontram barreiras para se expressar
livremente com o mundo dos não-índios. Seus pontos-de-vista são geralmente
tomados fora dos contextos onde vivem, mediados por intérpretes freqüentemente
precários, e registrados, finalmente, como fragmentos e em português.
Em segundo lugar, porque, de fato, sabe-se pouco sobre os índios.
Informações consistentes sobre eles costumam surgir a partir de pesquisas
realizadas por etnólogos e lingüistas. O problema é que grande parte
dos povos e línguas nativas existentes no Brasil contemporâneo ainda
não foi objeto dessas pesquisas. E muitos desses estudos especializados
não foram publicados ou estão acessíveis apenas em língua estrangeira,
permanecendo restritos aos círculos acadêmicos.
A disponibilização de informações atualizadas e contextualizadas neste
site é uma contribuição para se superar o abismo cultural e político
entre índios e não-índios.
