Línguas
Atualmente, mais de 180 línguas e dialetos são falados
pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase
seis mil línguas faladas no mundo contemporâneo. Antes da chegada dos
portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser
próximo de mil.
No processo de colonização, a língua Tupinambá,
por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada
por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada ao
índios nas missões e reconhecida como Língua Geral.
Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário
dos brasileiros (línguas gerais).
Assim como o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o
contato entre os povos resulta que as línguas indígenas
não existam isoladamente e estejam em constante modificação.
Além de influências mútuas, as línguas guardam
entre si origens comuns, integrando famílias lingüísticas,
que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes,
os troncos lingüísticos (Troncos e famílias).
Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco.
Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam
e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro
de uma mesma aldeia fala-se várias línguas (multilingüismo).
Em meio a essa diversidade, apenas 11 línguas têm acima de cinco mil
falantes: Baniwa, Guajajara, Kaingang, Kayapó, Makuxi, Sateré-mawé,
Terena, Ticuna, Xavante, Yanomami e Guarani, esta sendo falada por uma
população de aproximadamente 30 mil pessoas. Em contrapartida, cerca
de 110 línguas contam com menos de 400 falantes.
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os
lingüístas (o trabalho dos lingüistas),
assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos
projetos de educação escolar indígena (a escola e
a escrita).
Para saber as línguas faladas por cada um dos 227 povos indígenas
no Brasil contemporâneo, acesse Quadro
geral.