A ocupação do entorno do Parque Indígena do Xingu
Considera-se entorno do PIX a região do estado de Mato Grosso
que se estende ao redor dos principais formadores do rio Xingu, desde
as suas cabeceiras. No interior dessa região, é preciso notar a existência
de processos de ocupação com características diversas.
Correndo paralelas ao rio Xingu, duas grandes rotas rodoviárias funcionam
como eixos de ocupação: a oeste do PIX, a Cuiabá-Santarém (BR-163); a
leste, a BR-158. Uma classificação inicial das sub-regiões do entorno
do PIX, por perfis de ocupação, é a seguinte.
| Sub-região |
Localização |
Principais municípios |
Atividade econômica predominante |
Ocupação |
| Eixo da BR-158 |
Sul e sudeste do PIX |
Canarana, Querência, Água Boa, parte de Paranatinga, Gaúcha do
Norte |
Caráter misto pecuária e agricultura (principalmente soja) |
Projetos de colonização (privados, na forma de cooperativas e promovidos
pelo governo)/ fluxo migratório de sulistas |
| Nordeste do PIX |
São Félix do Xingu e São José do Xingu |
Pecuária (um dos principais pólos pecuários do Mato Grosso) |
Projetos pecuários com incentivos fiscais a partir da abertura
da
BR-080 |
| Eixo da Cuiabá-Santarém |
Sul e sudoeste do PIX |
Parte de Paranatinga, Sorriso, Vera e outros |
Monocultura (um dos principais pólos de produção de grãos
sobretudo soja do estado) (*) |
A partir do final da década de 80, quando foi ganhando projeção
no mercado nacional de grãos. |
| Oeste e noroeste do PIX |
Sinop, Cláudia, União do Sul, Marcelândia, Peixoto de Azevedo |
Extração de madeira |
Por ocasião da criação da Cuiabá-Santarém. Mineração (na bacia
do Teles Pires) e grandes projetos pecuários estimulados por incentivos
fiscais. (**) |
(*) No âmbito do Projeto Avança Brasil, do governo federal,
está projetada a construção de uma estrada, no sentido oeste-leste, ligando
essa sub-região ao corredor hidroviário Rio das Mortes-Araguaia-Tocantins,
a fim de escoar a produção de grãos.
(**) A decadência da pecuária e da atividade minerária levou
a um deslocamento em direção à região do Xingu e a um forte investimento
na extração de madeira. Em 1993, um censo indicou a existência de aproximadamente
700 serrarias entre Sinop e Marcelândia. Trata-se de um pólo nadeireiro
muito forte, que trabalha com cerca de cinco espécies arbóreas. Executa
corte selecionado, esgarçando a floresta em busca das espécies de seu
interesse. Progride geograficamente em função da exaustão de sua matéria-prima.
Vem seguindo um trajeto sul-norte que acompanha o curso da Cuiabá-Santarém,
começando a adentrar o estado do Pará. Há um ou dois anos, também vem
se acercando do limite oeste do PIX.