Madeireiros atuam em Terras Indígenas
Na região de Altamira, estado do Pará, várias terras indígenas sofrem
invasões de madeireiros. O caso mais grave é o da terra Apyterewa, dos
índios Parakanã, conforme conclusão do Relatório de Vigilância e Proteção
das Terras Indígenas/1998 (Funai de Altamira).
De acordo com o relatório, toda a extensão de Apyterewa está tomada
por madeireiros, que freqüentam a aldeia e fornecem bebidas alcoólicas,
armas e outras mercadorias aos índios. Alguns desses são coniventes
com a presença dos invasores. Os pedidos de prisões preventivas de nove
madeireiros, por parte da Procuradoria Regional da Republica de Marabá,
não foram suficientes para alterar a situação. No final de 1998, servidores
do Ibama e Polícia Federal estiveram na região, com a "Operação Macauã",
e decretaram a proibição da exploração, transporte e comercialização
do mogno. A quase totalidade do mogno comercializado na região de Tucumã,
São Félix do Xingu e Marabá é oriundo de Apyterewa e também da terra
indígena Trincheira/Bacajá, dos Kayapó-Xikrin.
Informações recentes dão conta de que os madeireiros continuam com
seus acampamentos montados a cerca de 500 metros da aldeia Apyterewa,
uma das duas que existem na área de mesmo nome. Alguns Parakanã estão
trabalhando para os madeireiros, recebendo 10 reais por cada tora retirada,
e ameaçam os funcionários que estão no posto, caso estes passem informações
para a Administração em Altamira. Os índios teriam "autorizado" os madeireiros
embora não tenham competência para tal a realizar a extração
também no território dos Araweté, ao norte de suas terras. (Fonte:Funai/
Altamira, março/2000).