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Garimpeiros e Yanomami

 

Há muitos anos garimpeiros têm invadido a terra dos índios Yanomami, na fronteira do Brasil com a Venezuela (estados do Amazonas e Roraima). Em 1993, uma comunidade yanomami da região de Haximu foi chacinada por garimpeiros. Em decisão histórica, o STJ decidiu que o caso havia sido genocídio. Desde 1999, a presença desses ocupantes ilegais vem tendo aumento preocupante em outras regiões da terra Yanomami.   

 

Na regiões Surucucu, Parafuri e Xiriana, na terra yanomami, há cerca de mil garimpeiros em ação. Em Surucucu, a leste da serra Parima, entre as bacias dos rios Parima, Melo Nunes e Mucajaí, vivem cerca de 1.750 Yanomami do sub-grupo Yanomae (falantes do yanomami oriental). A região começou a sofrer com a invasão garimpeira ainda na década de 80, depois que o projeto Radam divulgou a existência de jazidas minerais por lá (1975).

Os problemas trazidos pelo garimpo são vários, incidindo nos planos social, cultural, ambiental e sanitário. Prostituição e relações sexuais não protegidas põem em risco a saúde dos Yanomami, com o aparecimento de DST (doenças sexualmente transmissíveis). A presença garimpeira e as degradações ambientais decorrentes favorecem, também, o aumento inevitável dos casos de malária.

No Parafuri, o garimpo está situado a uma hora de caminhada do posto da Funai e é abastecido através de avião monomotor. A pista de pouso utilizada é a “Majestade” – N 03º 16.738/ W 63º 42.645. Por lá, a atividade ilegal está causando a morte dos índios por homicídio, além de colocar em risco a vida dos profissionais da Urihi (entidade que presta assistência à saúde naquela área). A denúncia está presente em ofício que a própria Urihi encaminhou ao presidente da Funai.

No documento, acompanhado de relatos dos mais recentes acontecimentos, a organização diagnostica, ao longo do primeiro semestre de 2000, “uma escalada crescente de violência entre os Yanomami, incitada pelos garimpeiros que fornecem armas e munição para grupos rivais”. Os Yanomami que "reagem ao garimpo estão sendo paulatinamente assassinados, o que tem gerado entre os seus parentes a intenção de vingança contra esses garimpeiros”, continua o texto.

Apenas em 2000, já teriam sido assassinados quatro Yanomami. Prevendo o risco de “um iminente conflito de grandes proporções”, a Urihi solicita à Funai “providências urgentes” para a solução dos problemas que cercam a presença de garimpeiros em Parafuri. (Fonte: Urihi – ago/setembro/ 2000). 

Nova invasão

O Ministério Público Federal de Boa Vista, Roraima, pediu à Polícia Federal que investigue uma nova invasão de garimpeiros na área indígena yanomami. Os garimpeiros estariam aliciando índios com presentes e armas de fogo, que acabaram sendo usadas em cinco assassinatos de Yanomami cometidos pelos próprios índios, só nesse ano, segundo relatórios encaminhados à presidência da Funai em Brasília e ao procurador da República Felipe Bretanha pela Administração Regional de Boa Vista e pelo Núcleo Interinstitucional de Saúde Indígena (Nisi) Os Yanomami contaram no Nisi que também mataram um garimpeiro a tiros e enterraram o corpo numa roça perto da maloca de Coniuteri. As denúncias são de que haja entre mil e quatro mil garimpeiros na área. “Há denúncias de que os garimpeiros estão tentando jogar índios contra índios. Essa é uma prática comum dos garimpeiros, para agirem com mais liberdade”, disse o presidente da Funai, Glênio da Costa Alvarez.

Os relatórios encaminhados pelo Nisi ao procurador Felipe Bretanha e à Funai informam que uma visita à maloca de Iaurata constatou que todos os Yanomami da comunidade, cerca de cem, estavam nos garimpos, situados a uma hora de caminhada da mata. Da maloca, segundo o relatório, é possível ouvir o ruído dos motores das dragas em funcionamento dia e noite. Os índios vão aos acampamentos para trabalhar na extração do ouro ou “simplesmente ficam acampados próximos aos garimpeiros, com o objetivo de receber alimentação ou algum presente”. (Fonte: jornal O Globo – 21/09/2000).

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